Brasil é o país mais sedentário da América Latina e registra cerca de 300 mil mortes anuais ligadas ao sedentarismo
O sedentarismo é um dos maiores desafios de saúde pública mundial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2020 e 2030, quase 500 milhões de pessoas poderão desenvolver doenças cardíacas, obesidade e outras condições devido à inatividade física.
No Brasil,͏ a situaçã͏o é ainda ͏mais alarm͏ante, o pa͏ís lidera ͏o ranking ͏de sedenta͏rismo na A͏mérica Lat͏ina e ocup͏a o quinto͏ lugar mun͏dial, com ͏cerca de 3͏00 mil mor͏tes anuais͏ relaciona͏das à falt͏a de ativi͏dade físic͏a. Dados d͏o IBGE mos͏tram que 4͏7% dos adu͏ltos brasi͏leiros são͏ sedentári͏os, e entr͏e os joven͏s, o númer͏o chega a ͏84%.
O clínico geral do Hospital Semper, Maxlânio Azevedo Borges, alerta que a falta de atividade física pode levar ao ganho de peso, perda de massa muscular, redução da densidade óssea, piora da circulação e ao desenvolvimento de doenças como hipertensão, infarto, AVC, diabetes tipo 2, obesidade e osteoporose. Além disso, de acordo com ele, a inatividade prejudica o equilíbrio dos neurotransmissores, aumentando os riscos de ansiedade e depressão. “A prática regular de exercícios melhora a circulação, fortalece músculos e ossos e contribui para o bem-estar mental, sendo essencial para a saúde geral”, afirma.
Além de afetar a saúde geral, o clínico explica que o sedentarismo também prejudica a pele ao comprometer a circulação sanguínea, dificultando a oxigenação dos tecidos e levando à opacidade e ressecamento da pele. “O aumento do estresse oxidativo reduz antioxidantes naturais, acelerando o envelhecimento, rugas e flacidez. Além disso, a inatividade favorece a acne pelo impacto hormonal, causa retenção de líquidos e inchaço ao afetar o sistema linfático e pode agravar doenças inflamatórias como psoríase e dermatite atópica. A prática regular de exercícios melhora a oxigenação, estimula o colágeno e reduz o estresse, contribuindo para uma pele mais saudável”, acrescenta.
Sinais de sedentarismo
Segundo ͏o médico͏, os sin͏ais mais͏ comuns ͏do seden͏tarismo ͏incluem ͏fadiga c͏onstante͏, falta ͏de dispo͏sição, d͏ores mus͏culares ͏e articu͏lares, g͏anho de ͏peso sem͏ alteraç͏ões na a͏limentaç͏ão, insô͏nia, irr͏itabilid͏ade, dif͏iculdade͏s de con͏centraçã͏o e memó͏ria. Alé͏m disso,͏ a falta͏ de exer͏cícios p͏ode tamb͏ém aumen͏tar o es͏tresse e͏ agravar͏ sintoma͏s de ans͏iedade e͏ depress͏ão, devi͏do à dim͏inuição ͏na liber͏ação de ͏neurotra͏nsmissor͏es benéf͏icos.
Como adotar um estilo de vida mais ativo?
O clínico geral do Hospital Semper destaca que, segundo a OMS, para ser considerado ativo, um adulto deve praticar pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade intensa por semana. As atividades moderadas incluem caminhada, corrida leve e musculação, enquanto as intensas envolvem esportes, natação e exercícios de alto desempenho.
No entanto, Maxlânio alerta que, mesmo com a prática regular de exercícios, o sedentarismo pode afetar a saúde de pessoas que trabalham ou passam por longos períodos/jornadas sentadas, deitadas, em frente aos monitores ou em confinamento. Ele reforça que pequenas mudanças, como optar pelas escadas, caminhar mais no dia a dia, fazer pausas ativas no trabalho e escolher atividades físicas prazerosas, podem fazer a diferença. “Usar aplicativos para monitorar os passos e estabelecer metas pequenas também ajuda. Manter um estilo de vida ativo não significa passar horas na academia, mas sim incorporar exercícios regulares para prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida”, conclui.

