Segundo tumor ginecológico mais comum, casos de câncer de ovário devem aumentar 42% até 2040 em todo o mundo

A doença requer atenção porque é assintomática nas fases iniciais

 

Projeção feita pelo New Global Cancer Data (Globocan 2020) constatou que o número de mulheres diagnosticadas com câncer de ovário aumentará em 42% até 2040 no mundo.  O entrave principal sobre a doença – segunda neoplasia ginecológica mais comum, ficando atrás apenas do tumor de colo do útero, com uma estimativa de 7.310 novos casos por ano – refere-se à falta de conhecimento e ao diagnóstico tardio. Estima-se que apenas cerca de 20% das pacientes descobrem a enfermidade de forma precoce.

A oncologista Aline Costa explica que esse cenário está associado, principalmente, ao fato de que em seus estágios iniciais a doença, geralmente, é silenciosa. Há ainda a falta de rastreamento para a detecção precoce. “Hoje o que se sabe é que os fatores de risco desse tipo de neoplasia incluem histórico familiar de câncer de ovário e mama. Os casos também estão atrelados às mutações nos genes BRCA1/BRCA2. Por isso, recomenda-se que diante da confirmação [da doença] na família, os parentes de primeiro grau devem fazer uma pesquisa genética da mutação”.

Ainda segundo a especialista, que pertence à equipe médica da Cetus Oncologia, clínica especializada em tratamentos oncológicos com unidades em Belo Horizonte, Betim e Contagem, a idade média do diagnóstico é em torno dos 50 anos, o que não impede de uma mulher mais jovem, abaixo dos 40, ter a doença. Outro fator de risco é a exposição hormonal a qual são submetidas, principalmente, as mulheres com menstruação precoce e menopausa tardia. “Os sintomas, que geralmente aparecem já na fase avançada, incluem dor abdominal, perda de peso não explicada, e dispareunia (dor na relação sexual)”, completa acrescentando que os tratamentos vão depender do subtipo histológico do tumor – existem pelo menos cerca de 30 tipos – e qual o estadiamento da doença. “A partir disso vamos avaliar se haverá necessidade de cirurgia seguida de quimioterapia ou se a paciente faz o ciclo inverso: começa com a quimio para depois passar pela cirurgia.”

Costa destaca, porém, que as cirurgias têm princípios oncológicos muito específicos e por não se resumirem apenas à retirada do ovário, demandam uma equipe com experiência. “São várias estruturas ressecadas. Isso sem falar que, durante o procedimento, não pode haver rompimento da cápsula do ovário”.

 

Prevenção

 

Como não é possível fazer um rastreamento precoce e a maioria dos casos são descobertos em estágios avançados, a oncologista da Cetus reforça sobre a importância de as mulheres se atentarem para o histórico familiar da doença. Aquelas com a síndrome no gene BRCA1, por exemplo, que ainda não desenvolveram o câncer, podem se submeter a uma ooforectomia, cirurgia profilática de retirada de um ou ambos os ovários, que pode levar à menopausa precoce. “Nesses casos pode haver uma discussão sobre preservação de fertilidade, principalmente para as pacientes ainda em idade fértil e com desejo de gestar”.

Aline também ressalta ser essencial a atenção aos fatores que podem ser modificados por meio de hábitos diários, como controlar o peso, manter alimentação saudável, praticar atividade física e conhecer o próprio corpo para, assim, identificar mudanças e procurar ajuda médica caso elas aconteçam. “O acompanhamento com um ginecologista também pode contribuir para ampliar as chances de um possível diagnóstico precoce. Isso porque quando criamos a cultura da saúde preventiva, a tendência é que as visitas periódicas ao médico aumentem as rotinas de exame, o que corrobora para termos um monitoramento maior do nosso corpo”.

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