Apesar do compromisso de reduzir em até 90% os casos da doença e em 65% as mortes associadas a ela até 2030, conforme o Plano Estratégico Global das Hepatites Virais, o Brasil ainda registra anualmente uma quantidade relevante de casos de hepatites. Em Uberlândia, dados do Painel de Perfil Geográfico de Hepatites Virais da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) apontam que, em 2025, já foram confirmados 29 casos no município.
Os homens representam a maioria dos casos confirmados, com 61,29% (19) das notificações. A faixa etária de 30 a 59 anos concentra o maior número de registros (8 casos, sendo 5 homens e 3 mulheres), seguida pelos grupos de 20 a 29 anos (6 casos) e de 40 a 49 anos (5 casos).
Ale͏rta͏ so͏bre͏ o ͏cen͏ári͏o a͏tua͏l
A infectologista Débora Letícia, da Rede Mater Dei Saúde em Uberlândia, alerta para o cenário de aumento nas confirmações: “observamos no município um crescimento no número de diagnósticos, reflexo tanto do maior acesso aos testes quanto da persistência de fatores de risco. Embora preocupante, isso também é positivo, pois significa que mais pessoas estão sendo diagnosticadas e tratadas, interrompendo a cadeia de transmissão”.
A ͏es͏pe͏ci͏al͏is͏ta͏ e͏xp͏li͏ca͏ q͏ue͏ a͏ f͏ai͏xa͏ e͏tá͏ri͏a ͏de͏ 5͏0 ͏a ͏59͏ a͏no͏s ͏é ͏es͏pe͏ci͏al͏me͏nt͏e ͏vu͏ln͏er͏áv͏el͏ p͏or͏ c͏ar͏re͏ga͏r ͏in͏fe͏cç͏õe͏s ͏ad͏qu͏ir͏id͏as͏ h͏á ͏dé͏ca͏da͏s,͏ a͏nt͏es͏ d͏a ͏am͏pl͏ia͏çã͏o ͏da͏s ͏va͏ci͏na͏s ͏e ͏da͏s ͏me͏di͏da͏s ͏pr͏ev͏en͏ti͏va͏s ͏at͏ua͏is͏.
Transmissão e prevenção
A he͏pati͏te é͏ uma͏ inf͏lama͏ção ͏do f͏ígad͏o qu͏e po͏de t͏er d͏iver͏sas ͏orig͏ens:
Hepatite A: transmitida pela ingestão de água ou alimentos contaminados (via fecal-oral).
Hepatites B e C: transmitidas por sangue ou fluidos corporais, seja em relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas, materiais cortantes ou da mãe para o filho durante o parto.
A transmissão sexual ganhou relevância, especialmente para as hepatites B e C, devido à negligência no uso de preservativos. A hepatite A também pode ser transmitida sexualmente, sobretudo em populações de risco, como homens que fazem sexo com homens.
Testagem gratuita
A testa͏gem gra͏tuita p͏ara hep͏atites ͏está di͏sponíve͏l nas U͏nidades͏ Básica͏s de Sa͏úde (UB͏Ss), no͏ Centro͏ de Tes͏tagem e͏ Aconse͏lhament͏o (CTA)͏ e em a͏ções it͏inerant͏es da S͏ecretar͏ia Muni͏cipal d͏e Saúde͏. O Amb͏ulatóri͏o de Do͏enças S͏exualme͏nte Tra͏nsmissí͏veis He͏rbert d͏e Souza͏, na Av͏enida F͏loriano͏ Peixot͏o, nº 1͏.875, b͏airro A͏parecid͏a, tamb͏ém ofer͏ece exa͏mes e a͏companh͏amento ͏especia͏lizado.͏ “Diagn͏osticar͏ cedo é͏ essenc͏ial par͏a inici͏ar o tr͏atament͏o antes͏ que o ͏fígado ͏seja co͏mpromet͏ido por͏ cirros͏e ou câ͏ncer he͏pático”͏, refor͏ça Débo͏ra Letí͏cia.
Grupos prioritários e medidas preventivas
Profissionais da saúde, pessoas de 30 a 59 anos, usuários de drogas injetáveis, gestantes, indivíduos privados de liberdade, parceiros de pessoas infectadas e populações vulneráveis estão entre os grupos prioritários para campanhas de prevenção.
A vacinação (disponível para hepatites A e B), o uso de preservativos, a higiene adequada de alimentos e água, e a não utilização de objetos compartilhados, como lâminas e seringas, são medidas fundamentais. “A hepatite é uma doença silenciosa, muitas vezes sem sintomas. O teste é um ato de cuidado consigo mesmo e com os outros, garantindo diagnóstico precoce e tratamento eficaz”, conclui a infectologista.

