Especialista explica riscos do cigarro convencional e dos vapes, além de estratégias eficazes para abandonar o vício
O tabagismo continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Apesar das campanhas de conscientização e da redução no número de fumantes ao longo das últimas décadas, milhões de pessoas ainda sofrem com os efeitos do cigarro convencional e, mais recentemente, com os riscos trazidos pelos cigarros eletrônicos e vapes.
De acordo com Mariane Barbosa, professora de Enfermagem da Una Itumbiara, “quanto mais cedo o indivíduo começa a fumar, maiores são os riscos para a sua saúde a longo prazo. Isso resulta em doenças graves, sendo a principal causa de morte evitável em todo o mundo”.
O cigarro tradicional contém milhares de substâncias tóxicas que afetam o organismo de forma imediata e cumulativa. A curto prazo, o fumante pode apresentar redução da capacidade respiratória, irritação nas vias aéreas e queda da imunidade. Já os efeitos a longo prazo incluem doenças respiratórias crônicas, como bronquite e enfisema, além de aumento significativo do risco de câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC).
Nos últimos anos, os cigarros eletrônicos e vapes surgiram como alternativa para quem queria reduzir ou substituir o cigarro convencional. No entanto, a percepção de que esses dispositivos seriam menos nocivos não se confirma, como destaca Barbosa: “o vape não é uma alternativa segura ao cigarro tradicional e não é reconhecido como ferramenta para parar de fumar”. Eles também liberam substâncias químicas prejudiciais e podem gerar dependência, especialmente pela alta concentração de nicotina.
Entre as doenças mais frequentes associadas ao fumo estão o câncer de pulmão, de boca e de esôfago, além da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O vício, entretanto, não se restringe aos danos físicos: a nicotina atua diretamente no cérebro, liberando substâncias relacionadas à sensação de prazer e dificultando o abandono do hábito.
Segundo a especialista, algumas das estratégias mais eficazes na cessação do tabagismo incluem acompanhamento médico, uso de terapias de reposição de nicotina, grupos de apoio e mudanças no estilo de vida. “A importância de um grupo de tabagismo reside na sua capacidade de proporcionar apoio mútuo, partilha de experiências e orientação profissional para ajudar os fumadores a deixarem o vício, promovendo a cessação e a melhoria da qualidade de vida. Através de escuta ativa, educação sobre os riscos do tabaco e desenvolvimento de estratégias de autocuidado, esses grupos oferecem um ambiente de suporte que valida a vivência dos participantes e os capacita para um futuro sem fumo”. O apoio de familiares e amigos também é fundamental, já que pode ajudar o fumante a lidar com recaídas e manter-se motivado no processo.
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