Engajamento se traduz em atenção a temas sociais como corrupção e na criação de projetos que beneficiam a comunidade
O interesse por pautas políticas tem crescido entre os jovens. Pesquisa do Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência da Unifesp, em parceria com o Instituto Idea, aponta que 34% dessa faixa etária citam a corrupção como o principal problema do país, e 33% dos entrevistados entre 18 e 27 anos já se declaram alinhados a uma posição política. Essa tendência se reflete também em iniciativas. Um projeto de lei, criado por alunas da 2ª série do Ensino Médio da Escola Gracinha, por meio do itinerário de Ciências Humanas, foi aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo em outubro de 2025. A proposta, defendida dentro do Parlamento Jovem, institui o Programa de Capacitação para a Vida Autônoma (PCVA), voltado a adolescentes de 15 a 17 anos em abrigos municipais, com foco na formação profissional e na inserção social para a vida adulta.
Segundo Andrea Montellato, assessora de Ciências Humanas da Escola Gracinha, o projeto foi defendido pela estudante Rafaela Loureiro Simões Pinto. Ela passou o dia na Câmara dos Vereadores de São Paulo, simulando a rotina parlamentar e apresentando as razões do projeto, sua necessidade e importância para que seja aprovado. “O objetivo é possibilitar aos estudantes do Ensino Médio regular, devidamente matriculados em escolas públicas ou particulares no município de São Paulo, a vivência do processo democrático, mediante participação em uma jornada parlamentar, com diplomação e exercício de mandato”, explica. Para chegar até esse momento, as alunas desenvolveram as razões que motivaram a proposta, demonstrando sua relevância e o impacto que ela pode gerar na formação cidadã dos jovens.
“Esse resultado é fruto de um percurso formativo alinhado à Base Nacional Comum Curricular, que buscou combinar sólida formação teórica e rigor científico com experiências práticas, como saídas de campo para conhecer e problematizar o funcionamento do poder legislativo nos âmbitos municipal, estadual e federal, além de debates e sistematizações que ajudaram os estudantes a compreender a ‘gramática’ da política”, comenta Andrea.
Todo o pe͏rcurso pa͏ra a elab͏oração do͏ projeto ͏teve como͏ ponto de͏ partida ͏os concei͏tos do Li͏beralismo͏ e do Ilu͏minismo. ͏Os estuda͏ntes se a͏profundar͏am no est͏udo da fo͏rmação do͏ Estado B͏rasileiro͏, suas co͏nstituiçõ͏es, conqu͏istas e r͏etrocesso͏s. Em gru͏pos, dese͏nvolveram͏ projetos͏ de lei q͏ue contem͏plavam as͏pectos co͏mo viabil͏idade, ju͏stificati͏va e foco͏ temático͏, seguind͏o critéri͏os semelh͏antes aos͏ do ambie͏nte real ͏da políti͏ca e das ͏instituiç͏ões. O tr͏abalho co͏letivo re͏sultou em͏ diversas͏ proposta͏s, e uma ͏delas foi͏ selecion͏ada para ͏represent͏ar a esco͏la na pró͏xima etap͏a do Parl͏amento Jo͏vem, prev͏ista para͏ este seg͏undo seme͏stre.
Pontos da proposta
Com base nisso, a proposta do Programa de Capacitação para a Vida Autônoma (PCVA) prevê encontros semanais no contraturno escolar ao longo de um ano, totalizando 192 horas de atividades coordenadas por educadores, psicólogos e assistentes sociais. Com foco em autoconhecimento, saúde mental, direitos civis, educação financeira, carreira, rotinas da vida adulta e redes de apoio, cada jovem recebe um plano personalizado e participa de vivências práticas, como estágios e simulações, para fortalecer sua autonomia e inserção social. O projeto é realizado em parceria com serviços municipais e organizações da sociedade civil, garantindo suporte técnico, psicológico e formativo, e, ao final, os participantes recebem certificado de conclusão.
Segundo Andrea, a experiência vai além do cumprimento das exigências curriculares, preparando os alunos para desafios da vida real. “O trabalho não se encerra aqui. Os componentes do Itinerário de CHSA deste semestre, irão estudar os movimentos da sociedade civil organizada e sua relação com o poder institucional e econômico, analisando também grupos e discursos que ameaçam as instituições democráticas com mensagens simplistas e, muitas vezes, com amplo apoio social. A proposta é estimular uma reflexão crítica sobre os caminhos e possibilidades da participação cidadã e popular, explorando instrumentos como plebiscitos, referendos e ações de movimentos sociais”.
Para ence͏rrar o an͏o, a equi͏pe de Ciê͏ncias Hum͏anas e So͏ciais Apl͏icadas es͏tá promov͏endo comp͏onentes e͏m seu iti͏nerário q͏ue voltam͏ seu olha͏r para as͏ transfor͏mações do͏ mundo do͏ trabalho͏ e os des͏afios imp͏ostos pel͏o uso int͏ensivo da͏s chamada͏s intelig͏ências ar͏tificiais͏ e tecnol͏ogias com͏plementar͏es. Dessa͏ forma, o͏s diferen͏tes compo͏nentes de͏ Geografi͏a, Filoso͏fia, Hist͏ória e So͏ciologia ͏organizam͏ seus deb͏ates e pr͏opostas a͏valiativa͏s do Itin͏erário a ͏partir de͏ uma pers͏pectiva c͏oesa e un͏ificada d͏e área do͏ conhecim͏ento.
Sobre a Escola Gracinha
A Escola Gracinha é mantida pela Associação Pela Família, uma organização sem fins lucrativos, que alia tradição e inovação para formar estudantes críticos, criativos e conscientes. Da Educação Infantil ao Ensino Médio, valoriza o protagonismo, a colaboração e os aprendizados significativos, em uma comunidade acolhedora e comprometida com a construção de um mundo mais justo e sustentável.

