Compartilhamento de prescrições em grupos de WhatsApp e redes sociais estimula uso de fórmulas sem avaliação profissional e pode trazer riscos à saúde, diz Angela Faria, que defende a individualização dos tratamentos

O hábito de compartilhar receitas e fórmulas manipuladas em grupos de WhatsApp, redes sociais e entre amigos tem acendido um sinal de alerta na área da saúde. A prática, aparentemente inofensiva, vem estimulando a automedicação silenciosa, em que pessoas repetem prescrições sem qualquer avaliação profissional, aumentando os riscos de efeitos adversos, interações medicamentosas e tratamentos ineficazes.
O fenômeno das chamadas “fórmulas copiadas” preocupa a farmacêutica e bioquímica Angela Faria, diretora da Phórmula & Companhia, farmácia de manipulação com 26 anos de atuação no mercado, e presidente do BNI Inter. Segundo ela, cada organismo reage de forma diferente, e o que funciona para uma pessoa pode não ser seguro ou eficaz para outra.
“A fórmula manipulada é personalizada. Ela considera histórico de saúde, idade, peso, uso de outros medicamentos e objetivos do tratamento. Quando alguém copia uma receita, está ignorando variáveis importantes e assumindo riscos desnecessários”, alerta.
Riscos de saúde
Entre os principais perigos estão dosagens inadequadas, uso de substâncias contraindicadas, reações adversas, sobrecarga do organismo e até mascaramento de doenças que precisam de diagnóstico médico. Além disso, a repetição de fórmulas sem acompanhamento pode atrasar tratamentos corretos e agravar quadros clínicos.
Formada em Farmácia e Bioquímica, com trajetória consolidada na manipulação magistral, Angela Faria construiu sua carreira unindo conhecimento técnico, atendimento humanizado e compromisso com a saúde individualizada. À frente da Phórmula & Companhi͏a, ela d͏efende a͏ prescri͏ção resp͏onsável ͏e o pape͏l essenc͏ial do f͏armacêut͏ico como͏ profiss͏ional de͏ orienta͏ção, cui͏dado e p͏revenção͏.
Tradição e Inovação
A atuação de Angela Faria também dialoga diretamente com o valor Tradições e Inovação do BNI. A tradição, neste contexto, está ligada ao que funciona de verdade, ao conhecimento construído ao longo do tempo, à ética, à procedência e aos processos que fortalecem uma caminhada sólida. Na saúde, isso significa respeito à ciência, uso de matérias-primas de qualidade, equipamentos de última geração e extremo cuidado na manipulação dos medicamentos. Já a inovação aparece tanto no avanço da tecnologia aplicada à medicina e à indústria farmacêutica quanto na forma como os comportamentos mudaram, com acesso rápido à informação, nem sempre confiável. Para a farmacêutica, inovar é acompanhar essas transformações sem abrir mão da responsabilidade, usando a tecnologia como aliada do cuidado, e não como atalho para práticas que colocam a saúde em risco.
A especialista orienta que qualquer uso de medicamentos ou fórmulas manipuladas seja feito somente com prescrição e acompanhamento profissional, e que receitas compartilhadas em ambientes informais não substituem avaliação técnica. “Em um cenário em que a informação circula rápido, o cuidado precisa ser ainda mais responsável. E quando o assunto é saúde, copiar nunca é a melhor opção”, reforça Angela Faria.
