Unimed Uberlândia reforça a importância da vacinação, dos exames de rotina e do diagnóstico precoce para prevenir complicações e interromper a transmissão das hepatites virais
As hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa e, muitas vezes, só são descobertas quando o fígado já apresenta comprometimento importante. Essa característica faz com que a campanha Julho Amarelo, dedicada à conscientização sobre essas doenças, com adesão da Unimed Uberlândia, seja um importante instrumento para estimular a prevenção, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e reduzir os casos de complicações graves, como cirrose, câncer de fígado e necessidade de transplante hepático.
As hepatites virais são inflamações do fígado provocadas por diferentes vírus. Segundo o médico infectologista cooperado da Unimed Uberlândia, Dr. Marco Túlio Alvarenga Silvestre, compreender essas diferenças é fundamental para prevenir a doença. “Os cinco principais vírus causadores dessas doenças são os das hepatites A, B, C, D e E. Eles diferem na forma de transmissão, na evolução da doença e nos possíveis desfechos. Além deles, outros vírus, como citomegalovírus, Epstein-Barr e herpes simples, também podem provocar inflamação no fígado, especialmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido”, esclarece.
Enquanto as hepatites A e E são transmitidas principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados e estão relacionadas às condições de higiene e saneamento básico, as hepatites B, C e D são transmitidas principalmente pelo contato com sangue contaminado e outros fluidos corporais. As principais formas de infecção incluem relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de agulhas, seringas e objetos perfurocortantes, além do uso de materiais sem esterilização adequada em procedimentos como tatuagens, piercings e alguns procedimentos estéticos.
Doença pode permanecer anos sem apresentar sintomas
Um dos maiores desafios no enfrentamento das hepatites virais é que muitas pessoas convivem com a infecção sem perceber. Em especial nas hepatites B e C, é comum que o diagnóstico aconteça apenas anos após a infecção, quando surgem complicações no fígado. Quando presentes, os sintomas podem incluir cansaço excessivo, febre, mal-estar, perda do apetite, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura e fezes claras. No entanto, a ausência desses sinais não significa que o fígado esteja saudável. “O exame de rotina pode levantar a suspeita de hepatite quando identifica alterações nas enzimas do fígado, conhecidas como transaminases, além de distúrbios da coagulação, redução das plaquetas e queda da albumina. Porém, é importante lembrar que muitas pessoas com hepatites crônicas podem apresentar exames praticamente normais, mesmo já tendo doença avançada. Por isso, quando há fatores de risco, a investigação específica é indispensável”, explica o médico.
Diagnóstico precoce evita complicações graves
Quando não diagnosticadas e acompanhadas adequadamente, as hepatites B e C podem se tornar crônicas e provocar danos progressivos ao fígado. “A cronificação das hepatites pode culminar em cirrose hepática e câncer de fígado. Em alguns casos de hepatite B, o câncer pode surgir até mesmo antes da instalação da cirrose. Essas doenças comprometem significativamente a qualidade de vida e podem levar à necessidade de transplante hepático ou até ao óbito”, alerta Dr. Marco Túlio.
Por esse motivo, especialistas reforçam que pessoas com histórico de exposição ao vírus, comportamento de risco ou alterações persistentes em exames laboratoriais devem procurar avaliação médica para realização dos testes específicos.
Vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção
A vacinação representa uma das medidas mais eficazes para reduzir a ocorrência das hepatites virais. Atualmente, existem vacinas seguras e altamente eficazes contra as hepatites A e B, disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) conforme as recomendações do calendário vacinal. “A prevenção das hepatites virais baseia-se principalmente na vacinação contra as hepatites A e B, que deve começar ainda na infância e apresenta alta eficácia e segurança. Também são fundamentais as medidas de higiene e saneamento, práticas seguras nas relações sexuais, o uso de materiais esterilizados, o controle dos hemoderivados e a identificação das pessoas infectadas para que recebam tratamento e deixem de transmitir a doença”, ressalta.
Além da imunização, outras medidas preventivas são fundamentais, como manter hábitos adequados de higiene, consumir água tratada, higienizar corretamente os alimentos, utilizar preservativos nas relações sexuais, não compartilhar objetos perfurocortantes e buscar estabelecimentos que adotem rigorosos protocolos de biossegurança para procedimentos como tatuagens, piercings e manicure.
Hepatite C tem altas chances de cura
Embora ainda não exista vacina contra a hepatite C, os avanços da medicina mudaram significativamente o prognóstico da doença. Atualmente, os medicamentos disponíveis apresentam índices de cura superiores a 95% dos casos, desde que o diagnóstico seja realizado e o tratamento iniciado de forma adequada.
Já a hepatite B pode ser prevenida pela vacinação e, quando evolui para a forma crônica, dispõe de tratamentos capazes de controlar a replicação do vírus e reduzir o risco de complicações. “Nem todas as hepatites evoluem para formas crônicas. As hepatites B e C são as que mais apresentam esse comportamento, mas ambas podem ser identificadas por exames sorológicos. A hepatite B pode ser prevenida pela vacinação e tratada quando cronifica. Já a hepatite C, mesmo sem vacina, conta hoje com medicamentos altamente eficazes, capazes de curar cerca de 95% dos pacientes”, afirma.
Neste Julho Amarelo, o infectologista também chama a atenção para outro aspecto importante da saúde do fígado. “Nem toda doença hepática é causada por vírus. O consumo excessivo de álcool, alguns medicamentos e outras drogas também podem provocar lesões importantes no fígado. Por isso, manter acompanhamento médico e buscar avaliação diante de qualquer suspeita é fundamental para o diagnóstico precoce e para preservar a saúde hepática”, conclui.
A principal orientação é não esperar o aparecimento de sintomas para cuidar da saúde. Manter a vacinação em dia, adotar hábitos preventivos e conversar com um médico sobre a necessidade de realizar testes para hepatites virais são atitudes que podem fazer a diferença no diagnóstico precoce, aumentar as chances de tratamento bem-sucedido e evitar complicações graves.
Foto: magnific.com

