Concerto raro: Uberlândia recebe obra icônica de John Cage

  

‘Sonatas e Interlúdios
para Piano Preparado’ será apresentado no Cineteatro Nininha Rocha
(15/10) pelas pianistas Lilian Nakahodo e Grace Torres. Obra será
executada integralmente.

A cidade de Uberlândia irá receber a turnê da revolucionária obra do norte-americano John Cage (1912 – 1992), ‘Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado’, das pianistas Grace Torres e Lilian Nakahodo. O concerto, com duração de 70 minutos, será apresentado dia 15 de outubro (domingo), às 19h, no Cineteatro Nininha Rocha. Os ingressos, com preços populares, podem ser adquiridos via Sympla.

Parafusos (de diferentes tipos e
tamanhos), porcas, pedaços de plástico e borracha milimetricamente
colocados entre as cordas de um piano de cauda fazem parte da complexa
preparação para esta execução que passou recentemente pelo Rio de
Janeiro/RJ e que segue com apresentações até 27 de outubro em Porto
Alegre/RS, São Paulo/SP e Curitiba/PR. A direção musical é da pianista e
professora Vera Di Domênico.

Composta entre 1946 e 1948 com 16 sonatas e 4 interlúdios, a obra raramente é executada na íntegra em público.
Grace e Lilian, integrantes do Coletivo Pianovero, foram as primeiras e
únicas pianistas da América do Sul a gravarem a composição por inteiro,
ao vivo. O feito inédito das brasileiras com o álbum ‘Preparado em
Curitiba – John Cage: Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado’ foi
lançado em janeiro de 2012, na 30ª Oficina de Música de Curitiba e no
mês seguinte em Darmstadt, na Alemanha, no evento ‘Tage für Neue Musik’. De lá para cá o duo fez diversas apresentações no Brasil.

A obra, uma das mais representativas do
repertório erudito do século XX, revela a identificação de Cage com o
pensamento indiano e dialoga com sonoridades das orquestras de gamelão
da Indonésia.

A preparação do piano, que demora de
duas a três horas para ficar pronto conforme as precisas indicações
feitas por Cage, as quais chamou de ‘bula’, no caderno das partituras
impressas da obra, é o grande desafio do trabalho. O autor especificou
não só o material a ser utilizado, de acordo com a característica de
cada tecla, mas a localização e a distância entre elas e os objetos.
“Pode não parecer, mas tudo é feito com muita técnica. As partituras
foram escritas de forma tradicional. Não há nada de improviso, os
fundamentos são muito sólidos”, conta a diretora.

Ao todo, 45 notas são preparadas para o
ciclo de Sonatas e Interlúdios e diferentes métodos são usados para
modificar o som original do instrumento. A inserção de diferentes
objetos em suas cordas resulta em sonoridades inimagináveis.

“Existe ainda muito preconceito com a
obra, pois muitos acham que a preparação agride o piano, pelo contrário,
o acaricia. O resultado são sons assimétricos, porém delicados e
sensíveis que lembram uma exótica orquestra de percussão”, explica
Grace.

Parte do estudo, realizado no período de
um ano pelas pianistas, foi feito em um piano convencional. Para
poderem estudar em um piano de cauda preparado e criar uma relação
auditiva com a composição tal como ela é, elas contam que foi preciso
alugar um instrumento durante vários meses para que pudessem executar a
obra.

Considerada como uma das melhores
realizações de Cage, o objetivo da obra é expressar os nove estados
emocionais, experimentados por qualquer ser humano, de acordo com a
tradição hindu, conhecidos como rasa, são eles: o heróico, o erótico, o maravilhoso, o cômico, o patético, o furioso, o terrível, o abominável e a tranquilidade.

“Algumas notas soam como piano, outras
não. A composição se encaixa perfeitamente nesta sonoridade. Tem muito
respiro, muito silêncio. Os sentidos ficam aguçados, ouvimos o entorno, o
tecido da nossa roupa, os ruídos das cadeiras, da plateia, insetos,
tosses, pigarros. O mesmo acontece com o público. Alguns podem sentir
até mesmo um desconforto porque não estão acostumados ou não esperam por
isso em um concerto de piano”, avisa Lilian.

Além dos concertos, o projeto também vai
oferecer gratuitamente neste mesmo período miniconcertos didáticos para
alunos da rede pública de ensino, bate-papo online interativo com a
equipe técnica do projeto e oficina abordando a preparação de piano e a
obra de John Cage.

“Estamos de volta com este projeto
porque retomar o contato com esta obra visionária e tão relevante não só
para a música, mas para as artes em geral, é uma oportunidade de
aprofundamento, hoje podemos oferecer ainda mais ao projeto e ao
público. É uma grande alegria poder realizar no Brasil um projeto com
esta qualidade”, conclui Vera.

Projeto realizado com recursos do
Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e
da Prefeitura Municipal de Curitiba. Incentivo: Colégio Positivo,
Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura Municipal de Curitiba.

Sobre John Cage (1912-1992)
foi compositor, teórico musical experimentalista, escritor,
multiartista. Investigador incansável, foi pioneiro da música de acaso
ou aleatória, da música eletrônica, do uso de instrumentos não
convencionais, bem como do uso não convencional de instrumentos
convencionais. Considerado uma das figuras chave nas vanguardas
artísticas do pós-guerra, contribuiu de forma decisiva para o
desenvolvimento estético da música no século XX abrindo caminhos para
outros compositores eruditos experimentarem sonoridades variadas. Sua
obra mais conhecida é 4’33” (1952), peça precursora da arte conceitual
por não executar uma única nota musical, ao apresentá-la os músicos não
tocam nada, ficam quietos diante do instrumento durante o tempo
especificado no título.

Suas maiores influências vêm da Ásia,
estudou filosofia indiana e zen budismo nos anos 40.  O I Ching, texto
clássico chinês, foi uma importante ferramenta de composição para ele.

Influenciou muitos artistas de todo o mundo e integrou o movimento Fluxus, que abrigava artistas plásticos e músicos.

Sobre as Pianistas:

Grace Torres

Curitibana, compositora, produtora e
Mestre em Música (UFPR). Integra o Coletivo Pianovero e o Fato, grupo
autoral com 9 álbuns e shows pelo Brasil e exterior. Atuou como pianista
em montagens como a “Ópera dos Três Vinténs”; com Lilian Nakahodo
gravou ao vivo e fez concertos pelo Brasil com as “Sonatas e Interlúdios
para Piano Preparado”, de John Cage (2012-2016). Como compositora,
criou trilhas premiadas para dança, teatro e audiovisual.

Lilian Nakao Nakahodo

Piracicabana radicada em Curitiba,
graduada em Produção Sonora e Mestre em Música (UFPR). Pianista,
compositora, produtora e editora de áudio, integra o Coletivo Pianovero e
o Sons Nikkei, projeto de fusão musical Brasil-Japão. Ao lado de Grace
Torres e Vera Di Domênico, realizou a 1ª gravação integral na América
Latina, ao vivo, das “Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado”, de
John Cage, além de concertos pelo Brasil (2012-2016).  Em 2022 lançou um
EP com composições próprias para piano preparado.

Sobre a Diretora Musical:
Vera Di Domênico

Pianista, professora e idealizadora de
projetos pianísticos. Diretora e curadora do Coletivo Pianovero.
Graduada em Música e Piano na UFRJ, FAPARTE/SP, Escola Superior de
Música de Viena, e em Música Contemporânea para Piano (Stuttgart). Foi
diretora dos Auditórios do MASP e coordenadora de música da FASM/SP.
Criou e dirigiu dezenas de projetos pianísticos, como o “Preparado em
Curitiba: John Cage – Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado”, com
gravação ao vivo, concertos e workshops (2012-2016).

Sobre o Coletivo Pianovero

Desde 2018 cria projetos pianísticos a
partir de Curitiba. São solistas, professores, estudantes e amadores
que, sob direção de Vera Di Domênico, realizaram: VEXATIONS, de Eric
Satie, performance com 24h de duração; “De Sons e Terras Distantes: a
música de Gurdjieff e De Hartmann para piano” na Capela Santa Maria, na
Oficina de Música de Curitiba e no Auditório do MASP. Na pandemia, 2
concertos online com 28 pianistas de 7 países, a “Gurdjieff Music
Experience”.

 

Serviço:

O que: Sonatas e Interlúdios para Piano Preparado, de John Cage.

Pianistas: Lilian Nakahodo e Grace Torres

Quando: 15/10 (domingo)

Que horas: 19h

Onde: Cineteatro Nininha Rocha (Centro Municipal de Cultura – Praça Prof. Jacy de Assis, s/n – Centro)

Quanto: R$10 e R$5 (meia) pela plataforma Sympla

 

Classificação: Livre

Duração: 70 minutos

 

Ficha técnica:

Direção Musical: Vera Di Domênico

Pianistas: Grace Torres e Lilian Nakahodo

Projeto gráfico: Karine Kawamura

Concepção visual: Silvio Silva Jr.

Fotografia: Gabriel Stocchero

Assessoria de Imprensa: Glaucia Domingos

Produção: Elis Ribeirete

 

Glacia Domingos Assessoria

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