Após um janeiro de vendas fracas em 2025, grandes redes antecipam liquidações, zeram estoques do pós-Natal e apostam em preço real, PIX e consumo por necessidade para reconquistar o consumidor.
As grandes redes varejistas abriram 2026 com campanhas de descontos mais agressivas do que o habitual, transformando janeiro no principal campo de batalha do preço no varejo brasileiro. Empresas como Magazine Luiza e Grupo Zema, por exemplo, saíram na frente com promoções antecipadas, reforçando uma prática tradicional do setor: zerar o estoque acumulado no pós-Natal e recompor o caixa logo no início do ano.
A estratégia ganha ainda mais peso após um desempenho tímido em janeiro de 2025, quando as vendas do varejo praticamente ficaram estáveis na comparação com dezembro (-0,1%), refletindo um consumidor mais cauteloso diante de juros elevados, crédito restrito e orçamento pressionado. Para 2026, a expectativa do setor é de um início de ano desafiador, o que explica a intensificação das liquidações, a preferência por descontos reais e o foco em produtos de necessidade, e não mais de desejo, como principal motor de conversão.
Segundo
o
publicitário e
especialista
em
marketing do
consumidor
Marcus Vinícius
Ferreira,
janeiro
deixou de
ser
apenas um mês
de
promoções
pontuais
e
passou
a ocupar um papel
estratégico no
planejamento
anual
do
varejo.
“Janeiro
virou
o
mês
de
ajuste fino
do
varejo.
É
quando
as marcas
precisam
limpar estoque,
recuperar
fôlego
financeiro
e,
ao
mesmo
tempo,
reconquistar
um
consumidor
mais racional
e
atento
ao preço real”, analisa.
PIX com desconto ganha força e muda a lógica do parcelamento
Uma d͏as pr͏incip͏ais m͏udanç͏as ob͏serva͏das n͏este ͏iníci͏o de ͏ano é͏ a pr͏eferê͏ncia ͏do co͏nsumi͏dor p͏elo p͏agame͏nto v͏ia PI͏X com͏ desc͏onto ͏agres͏sivo,͏ em d͏etrim͏ento ͏do pa͏rcela͏mento͏ long͏o no ͏cartã͏o de ͏crédi͏to. A͏ estr͏atégi͏a ate͏nde a͏ dois͏ obje͏tivos͏: red͏uz cu͏stos ͏para ͏o loj͏ista ͏e con͏versa͏ dire͏tamen͏te co͏m o d͏esejo͏ do c͏onsum͏idor ͏de ev͏itar ͏endiv͏idame͏nto l͏ogo n͏os pr͏imeir͏os me͏ses d͏o ano͏.
“O bra͏sileir͏o está͏ mais ͏consci͏ente. ͏Ele pr͏efere ͏pagar ͏à vist͏a, des͏de que͏ veja ͏vantag͏em cla͏ra no ͏preço.͏ O par͏celame͏nto pe͏rdeu a͏pelo q͏uando ͏vem ac͏ompanh͏ado de͏ juros͏ ou co͏mprome͏te o o͏rçamen͏to fut͏uro”, ͏explic͏a Marc͏us Vin͏ícius.
Menos desejo, mais necessidade
O comportamento de compra em janeiro também mudou. Em vez de buscar lançamentos ou tendências, o consumidor tem priorizado itens duráveis, atemporais e de necessidade real. É o chamado “saldão da necessidade”, em que entram produtos como eletrodomésticos mais eficientes, móveis essenciais e equipamentos de trabalho.
“Janeiro não é mais o mês de renovar o guarda-roupa por impulso. É o mês de trocar a geladeira que gasta muita energia, investir numa cadeira ergonômica ou melhorar o home office depois das férias”, destaca o especialista.
Desorganização afasta o cliente nas lojas físicas
No varejo
físico,
Marcus
Vinícius
chama
atenção para
um
fator
que
tem pesado
negativamente
nas
vendas:
a
desordem
nas lojas.
“O
consumidor entra na
loja
já predisposto
a comprar menos. Quando encontra
araras
bagunçadas
e falta
de
lógica
na
exposição, ele
simplesmente
desiste. A
bagunça está
matando as vendas de
janeiro”,
afirma.
Enquanto grandes redes investem em campanhas massivas, o comércio de bairro encontrou no WhatsApp sua principal ferramenta de queima de estoque. A estratégia é simples: enviar ofertas primeiro para quem já é cliente fiel, criando senso de exclusividade e proximidade.
“É uma comunicação direta, personalizada e eficiente. Em vez de gritar para todo mundo, o lojista fala com quem já confia nele”, pontua Marcus.
Supermercados e tecnologia puxam as liquidações
Outro d͏estaque͏ de jan͏eiro sã͏o as pr͏omoções͏ no set͏or de s͏upermer͏cados, ͏que apr͏oveitam͏ o perí͏odo par͏a desov͏ar iten͏s que s͏obraram͏ do Nat͏al, com͏o panet͏ones, v͏inhos e͏ carnes͏ nobres͏, agora͏ com pr͏eços ma͏is aces͏síveis.͏ Já no ͏varejo ͏de tecn͏ologia,͏ cresce͏ a busc͏a por upgrades de home office, com foco em produtividade e não em consumo supérfluo.
Como dica prática, o especialista alerta para um ponto sensível nas compras online: o frete. “Muitas ofertas parecem imperdíveis, mas perdem totalmente o sentido quando o frete é abusivo. O consumidor está atento e faz conta”, reforça.
Mais do que um mês de liquidações, janeiro se consolida como um termômetro do comportamento do consumidor ao longo do ano. “Em 2026, quem entender que preço, clareza, organização e relevância caminham juntos tende a sair na frente. Não basta cortar preço. É preciso fazer sentido para quem compra”, conclui Marcus Vinícius Ferreira.
Quem é Marcus Vinícius
Marcus Vinícius Lúcio Ferreira é colíder da Alume Marketing, uma agência que se dedica a ajudar empresas a crescerem e se destacarem no mercado. Possui vasta experiência em áreas como Marketing, Comunicação, empreendedorismo e branding (gestão de marcas). Já atendeu mais de 220 projetos de marketing no Brasil e no exterior, comanda o podcast Alumecast, onde promove conversas sobre Marketing, Comunicação, Inovação e outros temas relevantes para o mundo dos negócios. Atua como consultor na CDL Uberlândia e como palestrante. Marcus Vinícius acredita no poder do marketing para transformar negócios e tem o propósito de compartilhar o seu conhecimento.

