Dados mostram evolução da amamentação no Brasil, mas especialistas alertam para a importância do manejo correto e da nutrição materna para atingir metas globais.
Minas Gerais – Maio de 2026. O vínculo entre mãe e filho ganha ainda mais significado com a proximidade do Dia das Mães, data que convida à reflexão sobre cuidado, afeto e saúde desde os primeiros dias de vida. Nesse contexto, o aleitamento materno se destaca como uma das práticas mais completas e eficazes para garantir o desenvolvimento saudável da criança, além de promover benefícios duradouros também para a mulher.
Os avanços na adesão ao aleitamento materno no Brasil são significativos, mas ainda insuficientes diante das metas globais. De acordo com a Agência Senado, a Assembleia Mundial da Saúde tinha estabelecido como objetivo alcançar, até o ano passado, pelo menos 50% dos bebês em aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida, índice que tem como meta chegar a 70% até 2030.
O Brasil não atingiu a meta inicial estabelecida até 2025, mas apresenta evolução consistente, com dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) apontando que 45,8% dos bebês brasileiros são amamentados exclusivamente até os seis meses. O percentual era de 37,1% em 2006 e apenas 4,7% há cerca de quatro décadas.
A pediatra e professora da Afya Itajubá, Dra. Glenia Junqueira Machado Medeiros, comenta que o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses oferece inúmeros benefícios para o desenvolvimento físico e imunológico do bebê. “Considerado a forma de nutrição ideal e completa, o leite materno contém todos os nutrientes necessários, como proteínas, gorduras, vitaminas e água, na quantidade adequada para um crescimento saudável. O leite vindo da mãe promove proteção imunológica por ser rico em anticorpos e outros fatores de defesa, especialmente no colostro, que atua como uma “primeira vacina” e ajuda a proteger contra infecções”.
A especialista ressalta que a amamentação reduz significativamente o risco de diarreia, infecções respiratórias, otites, alergias e outras doenças. “Bebês amamentados apresentam crescimento adequado e melhor desenvolvimento da face, da fala e da respiração. A longo prazo, o aleitamento materno pode contribuir para a redução do risco de obesidade, diabetes e hipertensão, além de favorecer o desenvolvimento cognitivo”.
Além ͏dos b͏enefí͏cios ͏para ͏o beb͏ê, a ͏amame͏ntaçã͏o tam͏bém t͏raz i͏mpact͏os po͏sitiv͏os pa͏ra a ͏saúde͏ mate͏rna. ͏Estud͏os da͏ Orga͏nizaç͏ão Mu͏ndial͏ da S͏aúde ͏indic͏am qu͏e mul͏heres͏ que ͏amame͏ntam ͏por m͏ais t͏empo ͏apres͏entam͏ meno͏r ris͏co de͏ dese͏nvolv͏er câ͏ncer ͏de ma͏ma e ͏de ov͏ário,͏ além͏ de f͏avore͏cer a͏ recu͏peraç͏ão pó͏s-par͏to e ͏forta͏lecer͏ o ví͏nculo͏ afet͏ivo c͏om o ͏filho͏ (OMS͏).
Estudos recentes confirmam o quadro de progressos, mas reforçam obstáculos. Uma pesquisa publicada no Brazilian Journal of Health aponta que a prevalência geral do aleitamento materno, considerando todas as suas modalidades, entre crianças menores de seis meses atinge 78,8% no país. A pesquisa mostra que o aleitamento materno exclusivo é mais comum na região Sul (54,3%) e menos frequente no Nordeste (39,0%). Por outro lado, o aleitamento materno misto, caracterizado pela introdução de outros alimentos, é mais recorrente no Nordeste (26,8%) e menos no Sudeste (14,7%).
“A pega incorreta da mama, a dor e as fissuras nos mamilos, além do ingurgitamento mamário, estão entre as dificuldades mais comuns no início da amamentação. Essas situações causam desconforto e podem gerar ansiedade e insegurança, levando à falsa percepção de “leite insuficiente” ou “leite fraco”. O uso precoce de mamadeira ou chupeta também pode interferir negativamente, favorecendo o desmame precoce por causar confusão de bicos e possível rejeição da mama. Quase todas as mulheres são capazes de produzir leite suficiente, o que reforça a importância do manejo correto”, complementa Dra Glenia Medeiros.
As orientações sobre a importância do leite materno e as técnicas adequadas de aleitamento devem ser oferecidas desde o pré-natal e reforçadas no pré-parto, no pós-parto imediato, especialmente na primeira hora de vida do bebê, e após a alta da maternidade.
Influência da alimentação na amamentação
O Minist͏ério da ͏Saúde re͏comenda ͏o leite ͏materno ͏até os d͏ois anos͏ de idad͏e, com e͏xclusivi͏dade nos͏ primeir͏os seis ͏meses. Q͏uanto ma͏ior o te͏mpo de a͏mamentaç͏ão, maio͏res são ͏os ganho͏s imunol͏ógicos, ͏nutricio͏nais e e͏mocionai͏s. A nut͏róloga e͏ profess͏ora da A͏fya Educ͏ação Méd͏ica Mont͏es Claro͏s, Dra J͏uliana C͏outo Gui͏marães, ͏explica ͏que a al͏imentaçã͏o matern͏a influe͏ncia dir͏etamente͏ a compo͏sição do͏ leite, ͏especial͏mente no͏ que se ͏refere a͏os micro͏nutrient͏es e aos͏ ácidos ͏graxos.
“Nesse período, alguns nutrientes merecem atenção especial, como os ácidos graxos essenciais, especialmente o DHA, fundamentais para o desenvolvimento neurológico do bebê, a vitamina D, importante para a saúde óssea e imunológica, as vitaminas do complexo B, com destaque para a B12, essenciais para o sistema nervoso, o iodo, crucial para a função tireoidiana e o desenvolvimento cognitivo, além do ferro e do zinco, relacionados ao crescimento e à imunidade.”
Dra Juliana Couto também informa que refeições que contribuem para um melhor perfil nutricional da mãe durante amamentação incluem peixes ricos em ômega-3, como sardinha e salmão, oleaginosas como castanhas e nozes, ovos, frutas, verduras e legumes variados, além de grãos integrais e leguminosas. “Por outro lado, não há alimentos absolutamente proibidos de forma geral, mas alguns devem ser consumidos com cautela, como o álcool, que pode passar para o leite, a cafeína em excesso, que pode causar irritabilidade no bebê, alimentos ultraprocessados, pelo baixo valor nutricional, e peixes com alto teor de mercúrio, como peixe-espada e tubarão”, conclui a nutróloga da Afya.

