Italiano radicado em Minas Gerais ajuda a preservar a memória ferroviária no Brasil

Apaixonado por trens, morador de Nova Lima, na divisa com Belo Horizonte, aderiu ao hobby do ferreomodelismo para matar a saudade dos áureos tempos das ferrovias

Seja para relaxar, divertir-se, desestressar ou mesmo cultivar o amor pelas ferrovias, muitas pessoas têm aderido ao hobby do ferreomodelismo, afinal, o trem elétrico é uma excelente opção para quem está procurando algo para entreter a mente e passar o tempo.

 

Em Nova Lima, divisa com Belo Horizonte, o jornalista Emilio Camanzi, de 76 anos e radicado no Brasil desde 1952, sempre gostou muito de carros, aviões e trens, e o hobby do ferreomodelismo começou por influência de um amigo quando ele ainda morava em São Paulo e se tornou sócio da SBF (Sociedade Brasileira de Ferreomodelismo. “Não tenho em mente uma data, mas posso dizer que são mais de 45 anos quando comecei a rodar as duas composições da Frateschi que possuía, mas ainda não tinha onde usá-las. Ao me mudar para Nova Lima, em 1992, tornei-me sócio da AMF (Associação Mineira de Ferreomodelismo) para continuar curtindo o hobby, do qual já tinha bastante material”, afirma Camanzi.

A Frateschi Trens Elétricos, empresa com sede em Ribeirão Preto, no interior paulista, é a única fabricante de trens elétricos em miniaturas e réplicas de composições reais na América Latina.

 

Atualmente, Camanzi tem mais de 80 locomotivas e cerca de 300 vagões, que rodam em sua maquete. “Normalmente dedico mais tempo ao hobby aos sábados, quando não estou em viagens ou compromissos familiares. Porém, pelo menos duas ou três vezes por semana adianto alguma pintura ou customização nos trens, ou mesmo mexo neles só para admirá-los ou ver se continua tudo em ordem”.

Esta paixão por trens nasceu quando ele ainda morava na Itália. “Meu pai trabalhava da Estação Ferroviária de Bologna. Não era ferroviário, e sim o responsável pelo entreposto militar, visto que a cidade é o principal centro ferroviário do país. No pós-guerra, praticamente todas as composições que se deslocavam pelo país com militares passavam por lá. Ele curtia trens e quando me levava para a estação, eu ficava andando com os amigos maquinistas dele nas locomotivas de manobra. E não poderia dar outra, o vírus do trem me pegou, mas só consegui começar nesse hobby depois de adulto, visto que durante minha infância e adolescência não tínhamos condições financeiras para isso. Quando estávamos construindo a maquete, minha esposa, Vania, e minha filha, Camila, ajudaram na construção de montanhas, casas, estruturas e outros elementos da maquete, além de pintura de figuras”, conclui Camanzi.

O ferreomodelismo é um dos hobbies mais antigos do mundo, e sua origem remonta ao período em que o transporte ferroviário foi adotado massivamente. As primeiras miniaturas de trens foram fabricadas por volta de 1830, por artesãos alemães. De lá para cá, muita coisa mudou, principalmente no Brasil, onde o transporte de passageiros pelas ferrovias deixou de acontecer, com exceção dos passeios turísticos. Mesmo assim, a paixão de algumas pessoas por este hobby se intensificou.

“O ferreomodelismo é uma mistura de entretenimento, baseado em modelos de escala, e arte, pois os amantes deste hobby ficam fascinados quando começam a construir suas maquetes, fazer toda a parte de decoração e cenário e projetar as construções. É preciso ter capacidade de observação para se construir uma maquete, pois todo esse trabalho de reprodução do mundo real é totalmente artesanal”, diz Lucas Frateschi, diretor da Frateschi Trens Elétricos, empresa com sede em Ribeirão Preto, no interior paulista, que possui 57 anos de atuação no mercado e é a única fabricante de trens elétricos em miniaturas e réplicas de composições reais na América Latina. “Em tempos em que as famílias têm ficado em casa, é preciso arrumar algum hobby para distrair a mente. As pessoas pensam que o transporte ferroviário morreu, mas ele está vivo e em expansão. A ferrovia é de valor estratégico imprescindível para um país como o Brasil, e este crescimento ajuda a fomentar ainda a mais a paixão que muitos brasileiros têm pelos trens, sendo que muitos passam o hobby do ferreomodelismo para as futuras gerações”, finaliza Lucas.

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