O Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, celebrado em 7 de maio, chama atenção para uma condição que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e ainda enfrenta desafios para o diagnóstico precoce. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 190 milhões de pessoas com útero são portadoras da doença.
A endometriose é uma condição ginecológica inflamatória em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir órgãos como ovários, bexiga e intestino. Entre os principais sinais estão cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual e desconforto ao urinar ou evacuar no período menstrual, além de dificuldade para engravidar, segundo a ginecologista Luciana de Paiva Nery Soares, do Sabin Diagnóstico e Saúde.
Exames de imagem
O diagnóstico começa com avaliação clínica detalhada e pode ser complementado por exames de imagem, para o mapeamento das lesões. “Além de ajudarem na detecção inicial, também auxiliam no monitoramento da progressão da doença e da resposta ao tratamento ao longo do tempo”, pontua a médica.
A especialista destaca que a escolha do exame depende da suspeita clínica e do estágio da investigação. A ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal, de acordo com a ginecologista, é um dos principais métodos utilizados na investigação inicial. “Esse exame auxilia na identificação de focos profundos da doença, especialmente em regiões de difícil avaliação, como intestino e ligamentos pélvicos”, afirma. O preparo intestinal melhora a visualização das estruturas pélvicas e aumenta a sensibilidade do exame para detectar lesões profundas.
Já a ressonância magnética se destaca como exame complementar de alta acurácia para avaliação mais detalhada. É um método não invasivo indicado para mapear a extensão da endometriose nos diferentes compartimentos pélvicos e em possíveis localizações extra pélvicas. “O exame é especialmente útil no planejamento terapêutico, ao permitir uma avaliação mais abrangente do comprometimento de órgãos”, explica Luciana.
Tratamento
As ͏opç͏ões͏ te͏rap͏êut͏ica͏s v͏ari͏am ͏con͏for͏me ͏o q͏uad͏ro ͏clí͏nic͏o e͏ os͏ ob͏jet͏ivo͏s r͏epr͏odu͏tiv͏os ͏da ͏pac͏ien͏te.͏ “O͏ tr͏ata͏men͏to ͏pod͏e v͏ari͏ar ͏des͏de ͏o c͏ont͏rol͏e d͏a d͏or ͏com͏ me͏dic͏ame͏nto͏s a͏té ͏int͏erv͏enç͏ões͏ ho͏rmo͏nai͏s o͏u c͏irú͏rgi͏cas͏”, ͏afi͏rma͏ Lu͏cia͏na.
Por fim, a ginecologista defende um cuidado multidisciplinar, considerando não apenas os sintomas físicos, mas também os impactos na rotina e no bem-estar das pacientes. “Quando o cuidado inclui outros profissionais, como psicólogo, educador físico e nutricionista, a gente vê um impacto muito positivo na qualidade de vida dessas mulheres”, completa.

