Especialista alerta para a importância do diagnóstico precoce
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Brasil, são registrados 12 mil novos casos de neoplasias infantis ao ano. Dentre os tipos mais comuns, estão as leucemias, que afetam a medula óssea e as células sanguíneas. Conforme a hematologista da Hapvida NotreDame Intermédica, Hatsumi Iwamoto, a doença se divide em quatro tipos principais: a mieloide aguda, a linfoblástica aguda, a mieloide crônica e a linfocítica crônica.
“Os tipos agudos são os que apresentam evolução rápida, com quadro clínico exuberante. As crônicas costumam ter início insidioso e, em alguns casos, são assintomáticas. Já a leucemia linfoblástica aguda é a mais comum em crianças, mas todas as leucemias podem acontecer em qualquer idade”, explica a médica.
De acordo com a especialista, as causas da leucemia ainda não estão bem estabelecidas, mas alguns fatores podem estar relacionados. Dentre os exemplos mencionados, estão a exposição à radiação ionizante, a agrotóxicos e ao benzeno, além da predisposição genética associada a fatores ambientais.
“Quando uma criança tem leucemia, os irmãos apresentam risco um pouco aumentado para desenvolver a doença. Essa chance se torna ainda maior quando se trata de gêmeos idênticos”, ressalta Hatsumi.
Sinais e sintomas
Dentre os sintomas, estão: febre, aumento dos gânglios linfáticos e dores ósseas. “Os pacientes também apresentam indícios relacionados à baixa da produção de células sanguíneas, que resultam em anemia, baixa imunidade e plaquetas baixas. Essas alterações, por sua vez, causam cansaço, fraqueza, palidez, manchas roxas na pele e sangramentos pela gengiva e pelo nariz”, elenca, acrescentando que as manifestações são comuns às crianças e aos adultos.
O diagnóstico é feito por meio de exames, como mielograma, imunofenotipagem, cariótipo e outros testes genéticos e moleculares. “Em alguns casos, pode não ser necessária a realização do mielograma, principalmente nos pacientes que apresentam taxas elevadas de células leucêmicas circulantes”, destaca a especialista.
O tratamen͏to consist͏e em quimi͏oterapia e͏, em casos͏ seleciona͏dos, pode ͏ser indica͏do o trans͏plante de ͏medula óss͏ea.
Superação
O técnico em enfermagem Yuri Costa conta que passou toda a sua infância em tratamento contra a leucemia. “Fui diagnosticado com dois anos de idade. Tive uma infecção nos olhos e, à época, minha mãe me levou ao hospital em busca de assistência médica”, introduz.
Após diversas internações e prognósticos difíceis, veio o diagnóstico: tratava-se de leucemia. “A partir de então, deu-se início ao tratamento. Foram realizadas transfusões de sangue e sessões de quimioterapia associadas ao uso de diversos medicamentos. Em decorrência disso, tive enfraquecimento de dentes, perda de cabelo e de massa, além de um atraso literal no meu ensino, que acabou retardando meus estudos. Mas, no fim de tudo, graças a Deus, alcancei a cura. Ainda fiquei alguns anos sendo observado pela equipe médica”, relata Yuri.
Para͏ a m͏édic͏a, o͏ dia͏gnós͏tico͏ pre͏coce͏ é f͏unda͏ment͏al p͏ara ͏a re͏miss͏ão d͏a do͏ença͏. “S͏e o ͏diag͏nóst͏ico ͏for ͏feit͏o pr͏ecoc͏emen͏te e͏ o t͏rata͏ment͏o fo͏r in͏icia͏do r͏apid͏amen͏te, ͏as c͏hanc͏es d͏e cu͏ra e͏m cr͏ianç͏as v͏aria͏m em͏ tor͏no d͏e 90͏%, o͏ que͏ é u͏ma b͏oa n͏otíc͏ia. ͏O câ͏ncer͏ inf͏anti͏l, d͏e fo͏rma ͏gera͏l, p͏ossu͏i ca͏ract͏erís͏tica͏s pr͏ópri͏as e͏ se ͏dife͏re d͏o câ͏ncer͏ nos͏ adu͏ltos͏. As͏ cél͏ulas͏ que͏ sof͏rem ͏muta͏ção ͏resp͏onde͏m me͏lhor͏ à q͏uimi͏oter͏apia͏, le͏vand͏o a ͏maio͏res ͏chan͏ces ͏de c͏ura ͏que ͏nos ͏adul͏tos”͏, fi͏nali͏za.

