A influenciadora digital Rafaella Ranulfo e o especialista em felicidade corporativa, Rodrigo de Aquino, discutem os dilemas e desafios das mulheres no mercado de trabalho, especialmente após a maternidade, e defende mudanças estruturais para promover a igualdade.
O mercado de trabalho sempre foi um cenário de oportunidades e desafios. No entanto, para muitas mulheres, especialmente aquelas que são mães, a jornada pode ser marcada por preconceito e exclusão. Rafaella Ranulfo, influenciadora digital, formada em jornalismo e estudante de psicologia positiva, compartilha sua experiência pessoal sobre como foi o processo de descobrir que estava grávida e permanecer inserida no mercado de trabalho.
“Durante muito tempo ouvi falar sobre a inclusão, mas só senti na pele quando me deparei com o dilema: carreira ou maternidade?”, relata Rafaella, ao descrever o momento em que engravidou aos 20 anos, enquanto estava em meio ao processo de graduação e desenvolvimento profissional. “O medo de perder meu emprego por ser jovem e mãe me cercou”, ela lembra, explicando a tensão de equilibrar seu progresso profissional com a chegada de seu bebê.
Rafaella descreve o impacto que a licença-maternidade tem na carreira das mulheres, citando uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que revelou que quase metade das mulheres (48%) perde seus empregos após esse período. “Esse cenário de exclusão social sempre me preocupou”, diz ela, destacando os efeitos negativos do preconceito, que vão desde a redução de funções e exclusão de projetos até o tratamento diferenciado por parte de chefes e colegas de trabalho.
Para Rafaella, a experiência de ser demitida no dia em que voltou ao trabalho, com a justificativa de que agora ela teria tempo para cuidar da filha, foi especialmente dolorosa. “Eu não precisava ficar off do mundo corporativo para cuidar da minha filha. E eu não era menos capaz por ter me tornado mãe”, ela destaca, ressaltando como a maternidade, em vez de ser um impedimento, geralmente aumenta a determinação das mulheres.
De acordo com Rodrigo de Aquino, especialista em psicologia positiva e felicidade corporativa, as mulheres muitas vezes são impedidas de ter um florescimento pessoal e profissional por conta de preconceitos. “Como a mulher pode florescer e ter sua saúde mental preservada em espaços que sofrem todo tipo de assédio, são silenciadas e recebem 25,3% menos que seus pares masculinos? Como podem ser felizes se não encontram segurança psicológica, acolhimento e respeito? Sem contar a falta de apoio social, já que são elas que fazem girar a Cultura e Economia do Cuidado!”, questiona o especialista.
A influenciadora acredita que mudanças estruturais nas empresas são essenciais para corrigir esse cenário. Ela sugere medidas como conscientização, flexibilidade no trabalho, políticas de igualdade, programas de apoio para mães e uma cultura organizacional mais inclusiva. “Conscientizar líderes e colaboradores sobre os desafios enfrentados pelas mães é crucial”, afirma Rafaella, sublinhando a importância de uma abordagem mais humana e compreensiva nas empresas. Além disso, ela sugere a criação de redes de apoio para que as mães se sintam mais acolhidas no ambiente de trabalho. Em complemento, Rodrigo que é especialista em felicidade corporativa, propõe oferecer horários flexíveis e opções de trabalho remoto para facilitar a rotina das mulheres, bem como garantir igualdade de direitos e benefícios para mães e pais.
Por fim, a influenciadora que cria conteúdos em suas redes sobre lifestyle e maternidade, destaca fatores como resiliência emocional e alta capacidade em adquirir novas habilidades das mulheres mães, argumentando que ao reconhecer essas competências, as empresas não apenas beneficiam suas funcionárias, mas também promovem a diversidade e fortalecem suas equipes. “Sempre admirei a força das mulheres quando se tornam mães. É hora de romper com os estereótipos e construir um mercado de trabalho mais inclusivo e igualitário”, conclui.

