Por aqui devem ser registrados 990 notificações da doença até o fim deste ano. São Paulo lidera as estimativas, com 2600 possíveis novos diagnósticos até dezembro. Os dados são do Inca
Neste mês, marcado pela campanha Fevereiro Laranja, de combate às leucemias, Minas Gerais ocupa a vice-liderança entre os estados brasileiros em um ranking nada comemorativo: por aqui devem ser registrados 990 casos da doença até o fim deste ano. São Paulo lidera as estimativas, com 2.600 possíveis novos diagnósticos neste mesmo período. Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
De acordo com o hematologista Edson Carvalho, para falar de leucemia é importante, sobretudo, considerar que existem vários subtipos da enfermidade, o que a torna bastante complexa. “As leucemias agudas, geralmente, se desenvolvem de forma muito rápida e são marcadas pelo crescimento descontrolado de células sanguíneas na medula óssea, tecido líquido que ocupa o interior dos ossos onde são produzidos os componentes do sangue, glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas, todos com função vital e de defesa do organismo”, explica.
Ainda segundo o médico, que integra o corpo clínico da Cetus Oncologia – clínica especializada em tratamentos oncológicos com unidades em Belo Horizonte e região metropolitana – a evolução da doença aguda pode variar de semanas a dias, diferentemente dos subtipos crônicos, cujo crescimento é mais lento. “De modo geral o quadro engloba a chamada citopenia, ou seja, reduções da hemoglobina, células de defesa e as consequências disso, como sangramento, gengivorragia (sangramento das gengivas), quadros infecciosos inespecíficos e fadiga. Em casos menos comuns, há ocorrência de sangramento grave, com vômito de sangue e hematomas”. Carvalho ressalta ser importante procurar ajuda médica imediata diante dos primeiros sintomas. “Toda suspeita de doença hemato-oncológica demanda investigação das células mutadas. Por isso, além de exames de sangue, é preciso realizar a chamada propedêutica medular, que consiste em uma análise apurada da medula óssea”, orienta Edson acrescentando que o rastreamento começa com a coleta sanguínea de amostras da região para exames específicos, como o mielograma. O método é feito com uma anestesia local para que uma agulha seja introduzida no osso do paciente para a realização da aspiração de uma parte do tecido, com retirada de um pequeno fragmento de osso. Após ser coletado, o material é enviado para laboratório para identificação ou não de células malignas que afetam os glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas do sangue. “Junto ao mielograma, é feito também a imunofenotipagem, método de alta complexidade que analisa a maturação das células nas neoplasias hematológicas. Através dela é possível definir se um paciente é portador de uma leucemia e seu tipo específico”, completa.
Avanços nos tratamentos
O hematologista da Cetus Oncologia afirma que, de modo geral, a quimioterapia, tanto de alta quanto baixa complexidade, é o tratamento mais recorrente para a leucemia. Graças ainda aos avanços da medicina, hoje é possível tratar a doença com os medicamentos-alvo, que nos últimos anos vêm contribuindo para uma melhora significativa nas taxas de resposta dos pacientes.
Já a radioterapia, por sua vez, pode ser uma terapia adjuvante, que se soma ao tratamento, principalmente se o paciente precisar de um transplante de medula, mas – de modo geral – não é a primeira opção. “Vale lembrar que nem toda leucemia demanda transplante de medula óssea assim como nem toda leucemia é tratável. Existem alguns subtipos crônicos, em que o paciente é apenas acompanhado, sem necessidade de se tratar”, explica.
Quanto ao transplante, a necessidade será maior, segundo Edson, nas leucemias agudas, ainda assim nos pacientes mais jovens. “Um idoso geralmente não é elegível [para o transplante] por se tratar de um procedimento bastante agressivo.”
Por fim, o especialista alerta ser fundamental que as pessoas se cadastrem nos bancos de sangue estaduais – no caso de Minas Gerais o Hemominas – pa͏ra͏ s͏e ͏to͏rn͏ar͏em͏ p͏os͏sí͏ve͏is͏ d͏oa͏do͏re͏s ͏de͏ m͏ed͏ul͏a ͏ós͏se͏a,͏ u͏sa͏da͏ n͏os͏ c͏as͏os͏ e͏m ͏qu͏e ͏o ͏tr͏an͏sp͏la͏nt͏e ͏é ͏im͏pr͏es͏ci͏nd͏ív͏el͏. ͏“A͏ e͏st͏im͏at͏iv͏a ͏é ͏de͏ q͏ue͏ a͏ c͏ha͏nc͏e ͏de͏ s͏e ͏en͏co͏nt͏ra͏r ͏um͏ d͏oa͏do͏r ͏co͏mp͏at͏ív͏el͏ é͏ d͏e 1 em 100 entre doadores aparentados e 1 em 100 mil entre não aparentados. Por isso é necessária uma grande quantidade de voluntários para assim aumentar a possibilidade de medulas compatíveis nos bancos”, enfatiza.
Saiba mais como se cadastrar à doação de medula óssea neste link: https://www.mg.gov.br/servico/cadastrar-se-como-candidato-doacao-de-medula-ossea

