Espetáculo é a atração do mês de agosto do Projeto Uberlândia na Rota das Culturas
Há 18 anos, estreava ‘Um Circo de Rins e Fígados’, montagem que reuniu pela primeira vez os talentos de Marco Nanini e Gerald Thomas. O trabalho rendeu uma bem-sucedida trajetória, com direito aos principais prêmios da época e diversas temporadas.
Quase duas décadas depois, o encontro desses dois ícones do teatro brasileiro resultou em mais um espetáculo: “Traidor”, que será encenada em Uberlândia nos dias 03 e 04 de agosto no Teatro Municipal.
Entre as duas montagens, o mundo sofreu transformações irreversíveis, como o trauma pós-pandêmico, a incontornável revolução digital com suas inteligências artificiais, o virtual substituindo o mundo real e a ruptura democrática sofrida em diversas escalas mundo afora. O texto de “Traidor” foi criado sob influência deste caldeirão contemporâneo, no estilo que consagrou Gerald Thomas.
E o ponto de partida foi justamente o espetáculo anterior, que é retomado e citado em algumas cenas, ainda que todo o mote agora seja outro. Desta vez, Nanini está isolado em uma ilha, é acusado de algo que ele não cometeu e dialoga com a própria consciência, com seus fantasmas e suas reflexões sobre o passado, o presente e o futuro. É como se toda a ação se passasse dentro de sua cabeça: “Se houvesse um cruzamento entre Kafta e Shakespeare, então esse seria “Traidor”, uma espécie de híbrido entre o Joseph K, de “O Processo”, e Próspero, de “A Tempestade”, cuja mente renascentista olha para o futuro da civilização, perdoa seus detratores e os absorve”, resume o diretor.
Entre a tragédia e o humor, o otimismo e o pessimismo, Nanini conversa consigo mesmo e com as suas indagações, materializadas no elenco formado por Apollo Faria, Eder dos Anjos, Hugo Lobo e Wallace Lau.

