Especialistas destacam que fatores genéticos, estilo de vida e polifarmácia aumentam os riscos cardíacos na terceira idade
A prevenção de doenças cardiovasculares na população idosa demanda a adoção continuada de práticas saudáveis. O Ministério da Saúde recomenda atividade física regular — pelo menos 150 minutos semanais —, alimentação rica em frutas, legumes e grãos integrais, redução de sal, gordura saturada e alimentos ultraprocessados, além da cessação do tabagismo. Essas medidas, simples e acessíveis, atuam diretamente na redução dos principais fatores de risco, como hipercolesterolemia, hipertensão, sedentarismo e obesidade, mesmo em estágios iniciais ou assintomáticos da doença.
O Hospital Mater Dei Santa Genoveva, neste Setembro Vermelho, chama a atenção para a importância da prevenção das doenças cardiovasculares em idosos, responsáveis por 28% das mortes no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Para o geriatra Dr. Marcos Alvinair, a combinação de predisposição genética, histórico de hábitos de vida e uso simultâneo de múltiplos medicamentos torna essa população mais vulnerável a complicações como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.
Principais fatores de risco
De acordo com o Dr. Alvinair, os fatores hereditários, como hipertensão, diabetes e colesterol elevado, costumam se manifestar a partir dos 40 anos e tendem a se agravar com o envelhecimento. Ao longo da vida, o sedentarismo, a obesidade, o tabagismo e até quadros de ansiedade e depressão se somam a esses riscos.
“O acúmulo desses elementos pode deflagrar um processo inflamatório nas artérias, conhecido como aterogênese, que resulta na obstrução dos vasos sanguíneos e no comprometimento de órgãos vitais”, explica o geriatra. Essa condição aumenta as chances de infarto, AVC, hipertensão secundária e até amputações em casos de obstrução arterial grave nos membros inferiores.
Polifarmácia: benefício e risco
O uso de múltiplos medicamentos, comum entre idosos com várias doenças crônicas, pode ser tanto uma solução quanto um risco. “Quando a prescrição é feita de forma criteriosa, associando os medicamentos de forma inteligente, o paciente se beneficia. Mas o excesso de remédios, principalmente para tratar condições não cardiovasculares, pode gerar interações negativas e efeitos colaterais”, afirma Alvinair.
Nesse contexto, cabe ao médico avaliar as comorbidades e ajustar as condutas para minimizar riscos, destacando o papel central da geriatria na gestão da polifarmácia.
Cuidado multidisciplinar
O especialista defende a atuação integrada entre diferentes áreas da saúde no atendimento ao idoso. Além da geriatria e da cardiologia, a participação de nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e familiares é considerada fundamental.
“A saúde do coração está diretamente ligada a outras funções, como a cerebral, respiratória, sexual e renal. O acompanhamento multidisciplinar permite uma visão global do paciente e melhora os resultados”, ressalta Alvinair.
O papel da geriatria
Segundo o médico, a geriatria funciona como elo de integração entre os diferentes profissionais envolvidos no cuidado. “O geriatra age como gestor das condutas, articulando o trabalho de especialistas, como cardiologistas, endocrinologistas, neurologistas e ortopedistas. Esse papel é essencial para evitar conflitos terapêuticos e reduzir os efeitos colaterais da polifarmácia”, explica.
Encaminhamento precoce ao cardiologista
Embora o geriatra consiga manejar uma ampla gama de condições cardiovasculares, há situações em que o encaminhamento precoce ao cardiologista é indispensável. Casos de arritmia com repercussão hemodinâmica, síndromes isquêmicas agudas e insuficiência cardíaca avançada exigem avaliação imediata do especialista.
“O bom senso é determinante. Quando o caso se mostra mais grave desde o início, a soma de conhecimentos entre geriatria e cardiologia garante maior segurança e melhores resultados para o paciente”, conclui Alvinair.

