Quase 3 em cada 10 adultos têm hipertensão: saiba quais exames simples ajudam a identificar risco cardiovascular

Cardiologista reforça importância do acompanhamento antes dos sintomas

Quase três em cada dez adultos brasileiros têm diagnóstico de hipertensão. O índice passou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024, alta de 31%, segundo pesquisa do Ministério da Saúde do ano passado. No mesmo período, o diabetes avançou 135%, passando de 5,5% para 12,9% dos adultos. De acordo com o monitoramento, as doenças cardiovasculares permanecem entre as principais causas de morte no país.

Além da pressão alta e do diabetes, colesterol elevado e excesso de peso estão entre os fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares. O cardiologista, Daniel Marotta, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, afirma que muitas dessas alterações podem evoluir sem sintomas e só serem percebidas em exames de rotina.

“Não existe um exame isolado capaz de prever um infarto. A avaliação considera o conjunto de fatores de risco, como pressão arterial, colesterol, glicemia, idade, histórico familiar e hábitos de vida. A partir desses dados, o médico define a necessidade de acompanhamento ou de exames complementares”, afirma o especialista.

A pressão arterial é uma das primeiras medidas a serem acompanhadas. O perfil lipídico, que inclui colesterol e triglicérides, ajuda a identificar alterações associadas ao risco cardiovascular. Já a glicemia e a hemoglobina glicada são usadas para investigar diabetes e alterações do metabolismo da glicose.

Nem todo mundo precisa dos mesmos exames

Eletrocardiograma, teste ergométrico, ecocardiograma e exames de imagem não são necessários de forma indiscriminada. A indicação depende da idade, presença de sintomas, fatores de risco, histórico familiar e alterações identificadas na avaliação inicial.

Dor ou pressão no peito, falta de ar, palpitações, desmaios e cansaço fora do habitual são sinais que podem justificar uma investigação mais detalhada. Pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol elevado, tabagismo ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce também podem precisar de uma avaliação individualizada.

“O histórico familiar merece atenção porque pode modificar a avaliação mesmo quando os exames de rotina estão dentro dos valores esperados. A combinação de diferentes fatores também importa: obesidade, alterações da glicose, colesterol e pressão alta podem se somar e aumentar o risco cardiometabólico”, reitera Marotta.

Mais do que fazer uma bateria de exames, a estratégia é identificar alterações precocemente e acompanhar sua evolução. A avaliação médica permite definir a frequência dos controles e, quando necessário, indicar exames adicionais, mudanças de hábitos ou tratamento.

Avaliações e exames para cuidar do coração

Saiba quais os principais exames que identificam e monitoram riscos cardiovasculares:

Pressão arterial

-Identifica hipertensão, um dos principais fatores de risco para infarto e AVC.

-É uma medida simples e deve fazer parte do acompanhamento de rotina.

Perfil lipídico

-Mede colesterol total, LDL, HDL e triglicérides.

-Ajuda a identificar alterações que favorecem o acúmulo de placas nas artérias e aumentam o risco cardiovascular.

Glicemia de jejum

-Avalia a concentração de glicose no sangue.

-Pode apontar alterações do metabolismo da glicose e ajudar na investigação do diabetes.

Hemoglobina glicada (HbA1c)

-Mostra a média dos níveis de glicose dos últimos meses.

– É usada para diagnosticar e acompanhar o diabetes e ajuda a identificar um importante fator de risco cardiovascular.

Eletrocardiograma (ECG)

-Registra a atividade elétrica do coração.

-Pode identificar alterações do ritmo, da condução elétrica e alguns sinais de problemas cardíacos.

-Não é um exame que precise ser feito indiscriminadamente por toda pessoa sem sintomas.

Teste ergométrico

-Avalia o comportamento do coração durante o esforço físico.

-Pode ajudar na investigação de sintomas como dor no peito ou falta de ar e na avaliação de algumas situações de suspeita de doença coronariana.

Ecocardiograma

-Utiliza ultrassom para avaliar a estrutura e o funcionamento do coração.

-Permite observar, por exemplo, as válvulas, as câmaras cardíacas e a capacidade de bombeamento do coração.

Holter

-Faz um registro contínuo do ritmo cardíaco durante um período prolongado, geralmente 24 horas ou mais.

-É especialmente útil para investigar palpitações, tonturas, desmaios e alterações do ritmo que podem não aparecer em um ECG convencional.

MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial)

-Registra a pressão em diferentes momentos do dia e durante o sono.

-Pode ajudar a confirmar hipertensão e identificar alterações que uma única medição no consultório não mostra.

Exames de função renal

-Creatinina e estimativa da taxa de filtração dos rins podem integrar a avaliação cardiovascular, principalmente em pessoas com hipertensão ou diabetes.

-Alterações renais estão relacionadas a maior risco cardiovascular.

Escore ou estratificação de risco cardiovascular

-Não é um exame de laboratório, mas uma avaliação que combina informações como idade, pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo e outros fatores.

-Ajuda o médico a estimar o risco cardiovascular e decidir se são necessários exames ou acompanhamento adicionais.

Exames de imagem das artérias, como escore de cálcio coronariano

-Podem ser utilizados em situações específicas para refinar a avaliação do risco de doença coronariana.

-Não são exames de rotina para toda a população.

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