Campanha Maio Furta-cor chama atenção para esgotamento materno e depressão pós-parto, condições ainda cercadas por silêncio e julgamento
O mês de maio, marcado pelo Dia das Mães, também abre espaço para uma pauta urgente: a saúde mental materna. Especialistas apontam que muitas mulheres podem apresentar algum tipo de sofrimento psicológico durante a gestação ou no pós-parto, um cenário que se intensificou após a pandemia. A partir dessa realidade, a campanha Maio Furta-cor surge para ampliar o debate e dar visibilidade a casos muitas vezes ignorados pela romantização da maternidade.
Para a especialista Danielle Lawanda Cunha, psicóloga da Hapvida, falar sobre o tema é fundamental para provocar mudanças na perspectiva social sobre a maternidade. “A maternidade segue sendo romantizada socialmente, o que invisibiliza o sofrimento psíquico real das mulheres. A campanha cumpre um papel importante ao legitimar essas experiências e ampliar o debate público”, afirma.
Entre os quadros mais comuns, está a sobrecarga materna, ainda naturalizada. De acordo com a psicóloga Danielle Cunha, a sobrecarga pode levar ao esgotamento físico e emocional crônico. Para além do cansaço da rotina materna, que, normalmente, interfere na qualidade do sono e provoca mudanças no cotidiano da família, o esgotamento traz exaustão persistente, distanciamento afetivo do bebê e sensação de incapacidade. “Não é um cansaço que melhora com descanso pontual. É uma condição que tende a se agravar, se não houver intervenção”, explica a psicóloga.
Nesse período, as mães também podem enfrentar a depressão pós-parto, surgindo, geralmente, nas primeiras semanas após o nascimento do bebê ou até um ano pós-nascimento. Os sintomas incluem tristeza persistente, irritabilidade, alterações no sono e apetite, sentimento de culpa e dificuldade de criar vínculo com o bebê. Em casos mais graves, podem surgir até mesmo ideações suicidas.
Se͏gu͏nd͏o ͏a ͏es͏pe͏ci͏al͏is͏ta͏ d͏a ͏Ha͏pv͏id͏a,͏ m͏es͏mo͏ d͏ia͏nt͏e ͏da͏ i͏nt͏en͏si͏da͏de͏ d͏os͏ s͏in͏to͏ma͏s,͏ m͏ui͏ta͏s ͏mã͏es͏ a͏in͏da͏ a͏pr͏es͏en͏ta͏m ͏re͏si͏st͏ên͏ci͏a ͏em͏ r͏ec͏on͏he͏ce͏r ͏qu͏an͏do͏ n͏ão͏ e͏st͏ão͏ b͏em͏ e͏mo͏ci͏on͏al͏me͏nt͏e.͏ “͏Ex͏is͏te͏ u͏m ͏ju͏lg͏am͏en͏to͏ m͏ui͏to͏ f͏or͏te͏. ͏A ͏mu͏lh͏er͏ s͏en͏te͏ q͏ue͏ p͏re͏ci͏sa͏ d͏ar͏ c͏on͏ta͏ d͏e ͏tu͏do͏ e͏ c͏or͏re͏sp͏on͏de͏r ͏a ͏um͏ i͏de͏al͏ d͏e ͏ma͏te͏rn͏id͏ad͏e.͏ Q͏ua͏nd͏o ͏is͏so͏ n͏ão͏ a͏co͏nt͏ec͏e,͏ s͏ur͏ge͏ a͏ c͏ul͏pa͏, ͏e,͏ m͏ui͏ta͏s ͏ve͏ze͏s,͏ o͏ s͏il͏ên͏ci͏o”͏, ͏de͏st͏ac͏a ͏Da͏ni͏el͏le͏ C͏un͏ha͏.
Rede de apoio
A ausência de rede de apoio é um fator determinante para o agravamento desses sofrimentos psíquicos. Segundo a especialista, o suporte familiar e institucional é fundamental tanto para a prevenção quanto para o tratamento desses casos. “A rede de apoio reduz a sobrecarga, oferece suporte emocional e permite que a mãe tenha espaço para autocuidado”, pontua.
A importâ͏ncia de r͏ecorrer à͏ ajuda pr͏ofissiona͏l
Os impactos na saúde mental materna ultrapassam o bem-estar da mulher e atingem diretamente o desenvolvimento do bebê, ao interferir no vínculo e na dinâmica da mãe com o filho, influenciando também no desenvolvimento emocional e até cognitivo da criança.
Diante de sinais persistentes de sofrimento, a recomendação de especialistas é buscar ajuda profissional o quanto antes. Psicólogos, psiquiatras e serviços de atenção básica são portas de entrada para o cuidado. “Quanto mais precoce a intervenção, melhores os desfechos”, reforça a especialista da Hapvida.
A Hapvida possui esses e outros tipos de serviços, e pode ser uma aliada das mães que enfrentam quadros de sofrimento psicológico ao oferecer a telemedicina, permitindo que a paciente busque ajuda sem sair de casa. “A telemedicina reduz barreiras como o deslocamento e o tempo que se gasta para ir até o hospital, isso permite acesso mais rápido ao cuidado e maior continuidade no acompanhamento”, salienta a psicóloga.
“Além disso, nós adotamos protocolos institucionais voltados ao puerpério, oferecendo um atendimento mais humanizado e integrado, favorecendo a identificação precoce de sinais de sofrimento psíquico”, conclui.

