A 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenou uma plataforma de turismo a indenizar um consumidor em R$ 6 mil, por danos morais, devido ao cancelamento, em cima da hora, de reserva de hospedagem em Londres.
O consumidor narrou nos autos que havia reservado, por meio do site, uma hospedagem de dois dias na capital da Inglaterra. Entretanto, no dia do check in, foi informado pela empresa que a reserva não estava mais disponível. O cliente sustentou ainda que gastou mais de nove horas para conseguir outra acomodação em Londres, mas em um local distante da região em que pretendia se hospedar.
Em sua defesa, a plataforma argumentou que foi avisada pelo proprietário do hotel sobre a impossibilidade de abrigar os hóspedes devido a problemas de encanamento que teriam acarretado falta de água no local. O site alegou ainda que seu papel era apenas fazer a intermediação entre o consumidor e o hotel.
Após ter o pedido de indenização negado pela Comarca de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o autor recorreu à 2ª Instância. O relator no TJMG, desembargador José Augusto Lourenço dos Santos, modificou a sentença de 1ª Instância. Segundo o magistrado, a relação estabelecida entre as partes era de consumo, portanto, a plataforma não poderia ser considerada mera intermediadora.
O relator ressaltou que a empresa não trouxe aos autos a prova do problema relacionado à água na acomodação. Observou também que a plataforma disponibilizou ao viajante uma alternativa que custava o dobro do valor anteriormente contratado.
“Re͏sto͏u c͏omp͏rov͏ado͏ no͏s a͏uto͏s q͏ue ͏a s͏itu͏açã͏o v͏ive͏nci͏ada͏ pe͏lo ͏ape͏lan͏te ͏ext͏rap͏olo͏u o͏s l͏imi͏tes͏ de͏ me͏ro ͏dis͏sab͏or ͏do ͏dia͏ a ͏dia͏, p͏orq͏ue ͏jun͏tam͏ent͏e c͏om ͏sua͏ fa͏míl͏ia,͏ em͏ na͏ção͏ es͏tra͏nha͏ e ͏com͏ lí͏ngu͏a d͏ife͏ren͏te,͏ se͏ vi͏u d͏ian͏te ͏da ͏nec͏ess͏ida͏de ͏de ͏des͏emb͏ols͏ar ͏val͏or ͏bem͏ su͏per͏ior͏ ao͏ qu͏e h͏avi͏a p͏lan͏eja͏do ͏par͏a s͏ua ͏via͏gem͏ in͏ter͏nac͏ion͏al,͏ o ͏que͏ de͏ixa͏ ev͏ide͏nte͏ a ͏fru͏str͏açã͏o, ͏des͏gas͏te ͏e s͏ofr͏ime͏nto͏ de͏cor͏ren͏tes͏ do͏ ca͏nce͏lam͏ent͏o r͏epe͏nti͏no ͏da ͏res͏erv͏a c͏ont͏rat͏ada͏”, ͏afi͏rmo͏u o͏ de͏sem͏bar͏gad͏or.
Ele fixou o dano moral em R$ 6 mil. A desembargadora Maria Lúcia Cabral Caruso e o desembargador Josenilson Lopes votaram de acordo com o relator.

