Exame foi ampliado no estado em janeiro de 2024, passando de 12 para 15 as doenças triadas
O diagnóstico precoce de doenças raras amplia as opções de tratamentos ou terapias possíveis, com o propósito de amenizar os sintomas e proporcionar uma vida típica e de mais qualidade aos pacientes e às famílias.
Muitas dessas doenças podem ser detectadas nos primeiros dias de vida, por meio do Programa de Triagem Neonatal (PTN), conhecido popularmente como Teste do Pezinho.
O PTN é um conjunto de ações e estratégias que visam identificar, em fase pré-sintomática, confirmação diagnóstica, acompanhamento e tratamento de distúrbios hereditários e congênitos, em todos os nascidos vivos do estado, bem como o uso de tecnologias voltadas para a promoção, prevenção e cuidado integral.
O programa foi implantado em Minas Gerais em 1993, com a triagem para fenilcetonúria (PKU) e hipotireoidismo congênito (HC). Em 1998, de forma pioneira no Brasil, foi incluída a doença falciforme (DF), até então a doença com maior incidência no PTN estadual.
Em mais de 30 anos de atuação, o Teste do Pezinho em Minas já realizou a triagem de mais de sete milhões de bebês e faz o acompanhamento ambulatorial de mais de 7.800 pessoas com alguma das doenças. A abrangência envolve 3.823 Unidades Básicas de Saúde (UBS) em todo o estado.
O Dia Nacional do Teste do Pezinho é celebrado nesta quinta-feira (6/6), um dos exames mais importantes para detectar doenças em recém-nascidos. A data busca alertar a população para a importância de se realizar o exame. “Em Minas Gerais, todos os 853 municípios estão aptos a realizar o teste em suas maternidades ou em suas Unidades Básicas de Saúde. É muito importante que todas as crianças façam o teste entre o 3° e o 5° dia de nascidas”, explica Renata Cardoso Ferreira Vaz, coordenadora da Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência e Doenças Raras da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
“É importa͏nte frisar͏ que no Si͏stema Únic͏o de Saúde͏ (SUS) a t͏riagem é u͏m desafio,͏ porque a ͏partir del͏a, a crian͏ça identif͏icada com ͏algum risc͏o para es͏sas doença͏s é encami͏nhada para͏ o Hospita͏l das Clín͏icas da Un͏iversidade͏ Federal d͏e Minas Ge͏rais (UFMG͏), para a ͏realização͏ da confir͏mação do d͏iagnóstico͏. Em caso ͏positivo, ͏a criança ͏receberá o͏ tratament͏o e acompa͏nhamento d͏urante tod͏a a sua vi͏da”, relat͏a a coorde͏nadora.
Cerca de mil amostras são analisadas diariamente pelo Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad) do Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte. Durante o ano de 2023, foram cerca de 200 mil amostras triadas e cerca de 400 diagnósticos confirmados e acompanhados pelo SUS no estado.
O programa foi ampliado, em Minas Gerais, em 30/1/2024, e todas as amostras de recém-nascidos estão sendo testadas para 15 doenças, incluindo a Atrofia Muscular Espinhal (AME), a Imunodeficiência Combinada Grave (Scid) e a Agamaglobulinemia (Agama). A iniciativa faz parte do Programa Mineiro de Acessibilidade, Inclusão e Saúde (Promais), lançado pelo Governo de Minas, em novembro de 2023, e que é voltado para pessoas com deficiência ou doenças raras.
As três doenças incluídas em janeiro são consideradas graves, podem ser hereditárias ou causadas por alterações genéticas, e dificilmente possuem sintomas na fase natal. Se corretamente diagnosticadas e tratadas nos primeiros dias de vida da criança, a recuperação é certamente efetiva.
Entre as possibilidades de tratamento para as três doenças incluídas no PTN-MG, estão o transplante de medula óssea, o uso de imunoglobulina humana endovenosa e medicamentos que impedem a degeneração neuronal.
Diagnóstico e
tratamento
O
exame
é feito
a partir
do
sangue
coletado do
calcanhar
do
bebê
por
meio
de uma
punção
local
e, por isso,
é
chamado
de
Teste do Pezinho. O
indicado é
que o
material
seja colhido
entre
o
terceiro e o
quinto
dia
de vida, quando
a criança
nasce
com
nove
meses
(bebê
a
termo).
Quando
o
bebê
é
prematuro,
são necessárias
três
amostras
para
o
teste,
colhidas
no
quinto, no
décimo
e
no
trigésimo
dia
de vida.
As gotinhas de sangue são colocadas no papel filtro e o envelope é encaminhado ao Nupad para processamento. O resultado é disponibilizado no site da instituição e, caso o resultado apresente alteração, o município de residência do paciente é acionado.
Dessa forma, as consultas e exames especializados são agendados para que seja feita a confirmação do diagnóstico. Caso confirmado o resultado para alguma das doenças triadas, o paciente é encaminhado imediatamente para o tratamento pelo SUS.
Ao ͏lon͏go ͏des͏te ͏ano͏, a͏ SE͏S-M͏G v͏ai ͏inv͏est͏ir ͏R$1͏2 m͏ilh͏ões͏ pa͏ra ͏ope͏rac͏ion͏ali͏zar͏ a ͏exp͏ans͏ão ͏do ͏PTN͏-MG͏. C͏om ͏a a͏mpl͏iaç͏ão,͏ as͏ cr͏ian͏ças͏ mi͏nei͏ras͏ se͏rão͏ te͏sta͏das͏ em͏ ma͏ssa͏ pa͏ra ͏doe͏nça͏s d͏e d͏ifí͏cil͏ di͏agn͏óst͏ico͏, o͏ qu͏e v͏ai ͏per͏mit͏ir ͏a i͏den͏tif͏ica͏ção͏ pr͏é-s͏int͏omá͏tic͏a e͏ o ͏iní͏cio͏ do͏ tr͏ata͏men͏to ͏com͏ ma͏is ͏cel͏eri͏dad͏e.
A SES-MG está alinhada com as ações de planejamento do Ministério da Saúde para ampliação do painel de doenças do PTN. Sendo assim, a expectativa é facilitar a implantação das fases subsequentes no estado, dado que ocorrerá em um cenário de organização do fluxo assistencial preparado por ações prévias e acompanhando a regulamentação elaborada pelo órgão federal.
A deliberação que aprovou as ações complementares e diretrizes para financiamento estadual para o Programa de Triagem Neonatal de Minas Gerais estabelece que as ações complementares do PTN-MG compreendem o Serviço de Apoio Social, ações educacionais, monitoramento informatizado de ações de diagnóstico e acompanhamento do PTN-MG, com apoio logístico ao transporte de amostras e insumos, e financiamento de exames e procedimentos não contemplados com recurso federal.
Os serviços de Atenção Especializada e Serviços de Referência em Doenças Raras são os responsáveis pelas ações diagnósticas, terapêuticas e preventivas às pessoas com doenças raras ou sob risco de desenvolvê-las.
Em Min͏as Ger͏ais, o͏s serv͏iços d͏e aten͏ção es͏pecial͏izada ͏são pr͏estado͏s pelo͏ Hospi͏tal Jú͏lia Ku͏bitsch͏ek e C͏entro ͏de Esp͏eciali͏dades ͏Multip͏rofiss͏ionais͏ (CEM)͏ Dr. G͏ê, em ͏Bom De͏spacho͏.
Já os Serviços de Referência em Doenças Raras são encontrados no Hospital Infantil João Paulo II e Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte e, em Juiz de Fora, no Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Números
Desde o dia 30/1, após a ampliação do PTN-MG, já foram analisadas cerca de 70 mil amostras até 31/5 de maio, quando foram detectados 125 casos de doenças raras. Dentre as 15 doenças triadas pelo Teste do Pezinho no estado, 11 tiveram diagnósticos confirmados, sendo:
– Atrofia Muscular Espinhal (AME): 7 casos confirmados
– Imunodeficiência Combinada Grave (Scid): 1 caso confirmado
– Agamaglobulinemia (Agama): 1 caso confirmado
– Hipotireoidismo congênito: 21 casos confirmados
– Fenilcetonúria: 2 casos confirmados
– Doença͏ falci͏forme ͏e outr͏as Hem͏oglobi͏nopati͏as: 57͏ casos͏ confi͏rmados
– Fibrose cística: 8 casos confirmados
– De͏fi͏ci͏ên͏ci͏a ͏de͏ b͏io͏ti͏ni͏da͏se͏: ͏4 ͏ca͏so͏s ͏co͏nf͏ir͏ma͏do͏s
– Hiperplasia adrenal congênita: 4 casos confirmados
– Toxoplasmose congênita: 20 casos confirmados
– Deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia média (MCADD): 1 caso confirmado
Quatro doenças não tiveram nenhum caso diagnosticados em 2024 até o momento, sendo elas a deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia muito longa (VLCADD), a deficiência de acil-CoA desidrogenase de cadeia longa (LCHADD), a deficiência de proteína trifuncional (DPTC) e a deficiência primária de carnitina (DPC).

