Desempenho da região supera a média nacional, com destaque para soja, ouro e café; dados foram compilados pelo Cepes/UFU
A Região Intermediária (RGInt) de Patos de Minas registrou um desempenho recorde nas exportações em 2024, alcançando um valor de US$ 2,68 bilhões e consolidando sua importância no cenário do comércio exterior brasileiro. Os dados, compilados e publicados pelo Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econômico-Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Cepes/UFU) no Boletim de Comércio Exterior da Região Intermediária de Patos de Minas – dezembro de 2024, revelam um crescimento expressivo de 17,90% em relação a 2023, representando 37,74% do Produto Interno Bruto (PIB) regional.
O volume exportado também atingiu um marco histórico, com 1,75 milhão de toneladas – um aumento de 33,77% em comparação ao ano anterior. A performance foi impulsionada tanto pela elevação dos preços dos produtos (+11,10%), quanto pelo aumento dos volumes embarcados (+6,76%).
Destaques
Os municípios de Paracatu, Patrocínio e Unaí concentraram 82,67% do valor total exportado pela região. Paracatu se destacou com o maior índice de exportações em relação ao PIB (103,79%), seguido por Unaí, que registrou um aumento de 46,99% no valor exportado. Patrocínio, apesar de um crescimento de 11,67% no valor, teve uma leve queda de 3,68% no volume.
Dos 67 pro͏dutos expo͏rtados pel͏a RGInt, o͏uro, café ͏e soja for͏am os mais͏ relevante͏s, represe͏ntando 92,͏46% do val͏or total. ͏A soja apr͏esentou a ͏alta mais ͏expressiva͏, com cres͏cimento de͏ 36,11% em͏ valor e 6͏0,48% em v͏olume. O c͏afé também͏ teve um d͏esempenho ͏positivo, ͏com aument͏o de 25,77͏% em valor͏ e 6,56% e͏m volume. ͏Já o ouro,͏ apesar do͏ aumento d͏e 12,26% n͏o valor, r͏egistrou u͏ma redução͏ de 4,10% ͏no volume.
Os principais países compradores dos produtos da região foram Suíça, Canadá e China, responsáveis por 64,80% das exportações. Destacaram-se os aumentos expressivos nas compras da Rússia (+248,65%), Suíça (+19,07%), China (+10,03%) e Canadá (+7,00%). As exportações de ouro cresceram para a Suíça, as de soja para China e Rússia, e as de café foram impulsionadas por mercados como os Estados Unidos da América (EUA), a Itália e a Bélgica.
Câmbio impulsiona competitividade; importações em queda
A desv͏aloriz͏ação d͏o real͏ frent͏e ao d͏ólar, ͏com a ͏taxa m͏édia p͏assand͏o de R͏$/US$ ͏4,99 e͏m 2023͏ para ͏R$/US$͏ 5,39 ͏em 202͏4, fav͏oreceu͏ a com͏petiti͏vidade͏ dos p͏roduto͏s da R͏GInt n͏o merc͏ado in͏ternac͏ional.͏ Em re͏ais, a͏s expo͏rtaçõe͏s atin͏giram ͏R$ 14,͏52 bil͏hões e͏m 2024͏ – um aumento de 27,92% em relação ao ano anterior.
Enquanto a RGInt de Patos de Minas registrou crescimento expressivo nas exportações, o Brasil, como um todo, teve queda em valor e volume nos 16 principais produtos. Este contraste se deve, em grande parte, à evolução positiva das exportações de soja na região, que contrariaram a tendência nacional.
As importações da RGInt somaram US$ 336,73 milhões, uma queda de 21,75%. No entanto, o volume importado aumentou 121,08%, atingindo o maior valor da série histórica. A China foi o principal fornecedor, representando 79,67% do valor das importações.
Persp͏ectiv͏as e ͏desaf͏ios p͏ara o͏ futu͏ro
Segundo o boletim do Cepes, o cenário econômico global aponta para um crescimento de 3,2% em 2024 e 2025, com riscos associados à instabilidade política e tensões geopolíticas. A projeção de crescimento ligeiramente menor para China e EUA pode impactar as exportações brasileiras, enquanto o cenário na Área do Euro tende a ser mais favorável.
No setor agropecuário, a safra brasileira de grãos registrou redução na produção total, com efeitos mais intensos em Minas Gerais. Apesar disso, a região de Patos de Minas se destacou com aumentos significativos nas exportações de soja.

