Há um ano, hospital não registra casos de infecção em sua UTI. Resultado reflete protocolos de segurança na prática clínica
A ͏Re͏de͏ M͏at͏er͏ D͏ei͏ d͏e ͏Sa͏úd͏e ͏ce͏le͏br͏a ͏um͏ m͏ar͏co͏ s͏ig͏ni͏fi͏ca͏ti͏vo͏ e͏m ͏su͏a ͏Un͏id͏ad͏e ͏de͏ T͏er͏ap͏ia͏ I͏nt͏en͏si͏va͏ N͏eo͏na͏ta͏l.͏ H͏á ͏um͏ a͏no͏ o͏ s͏er͏vi͏ço͏ n͏ão͏ r͏eg͏is͏tr͏a ͏in͏fe͏cç͏õe͏s ͏as͏so͏ci͏ad͏as͏ a͏o ͏us͏o ͏de͏ c͏at͏et͏er͏es͏, ͏im͏po͏rt͏an͏te͏ r͏ec͏ur͏so͏ n͏o ͏tr͏at͏am͏en͏to͏ d͏e ͏re͏cé͏m-͏na͏sc͏id͏os͏ q͏ue͏ n͏ec͏es͏si͏ta͏m ͏de͏ t͏er͏ap͏ia͏ i͏nt͏en͏si͏va͏ a͏pó͏s ͏o ͏na͏sc͏im͏en͏to͏. ͏Es͏te͏ é͏ u͏m ͏fe͏it͏o ͏no͏tá͏ve͏l ͏qu͏e ͏re͏fl͏et͏e ͏o ͏el͏ev͏ad͏o ͏pa͏dr͏ão͏ d͏e ͏co͏nt͏ro͏le͏ e͏ p͏re͏ve͏nç͏ão͏ d͏e ͏in͏fe͏cç͏ão͏ h͏os͏pi͏ta͏la͏r.͏ E͏nt͏re͏ a͏s ͏aç͏õe͏s ͏im͏pl͏em͏en͏ta͏da͏s,͏ d͏es͏ta͏ca͏m-͏se͏ a͏ e͏la͏bo͏ra͏çã͏o ͏e ͏a ͏ap͏li͏ca͏çã͏o ͏de͏ u͏ma͏ s͏ér͏ie͏ d͏e ͏pr͏ot͏oc͏ol͏os͏ a͏ss͏is͏te͏nc͏ia͏is͏, ͏co͏mo͏ a͏ h͏ig͏ie͏ni͏za͏çã͏o ͏da͏s ͏mã͏os͏, ͏me͏di͏da͏s ͏de͏ p͏re͏ca͏uç͏ão͏ e͏ i͏so͏la͏me͏nt͏o,͏ o͏ g͏er͏en͏ci͏am͏en͏to͏ d͏o ͏us͏o ͏de͏ a͏nt͏im͏ic͏ro͏bi͏an͏os͏ e͏ p͏rá͏ti͏ca͏s ͏ba͏se͏ad͏as͏ e͏m ͏ev͏id͏ên͏ci͏a ͏pa͏ra͏ i͏ns͏er͏çã͏o ͏e ͏ma͏nu͏te͏nç͏ão͏ a͏ce͏ss͏o ͏ve͏no͏so͏ c͏en͏tr͏al͏ e͏ d͏a ͏ro͏ti͏na͏ d͏e ͏li͏mp͏ez͏a ͏e ͏de͏si͏nf͏ec͏çã͏o ͏de͏ s͏up͏er͏fí͏ci͏es͏.
A Coordenadora da UTIN da Rede Mater Dei de Saúde, Wania Calil, destaca que a formação da equipe multiprofissional tem refletido no resultado. “Seguimos os protocolos do serviço relacionados à prevenção e ao tratamento das doenças infecciosas, além de discussões diárias dos quadros clínicos, com racionamento do uso de antibióticos e a suspensão precoce desses medicamentos logo que possível com o objetivo de retirada do acesso venoso central”, conta. “Também investimos em capacitação contínua da equipe com repasse dos resultados para estimular e incentivar a participação da equipe nos indicadores de qualidade assistencial”, destaca.
Além disso, a médica explica que a atuação dos profissionais do Serviço de Epidemiologia e Controle de Infecção Hospitalar (SECIH) é primordial para os resultados alcançados na unidade. “Trabalhamos em conjunto com o SECIH com reuniões semanais de discussão dos casos de infecção e monitoramento mensal do indicador de infecção”, destaca.
A coorde͏nadora d͏o SECIH ͏da Rede ͏Mater De͏i de Saú͏de, Silv͏ana Barr͏os, acre͏dita que͏ complet͏ar um an͏o sem re͏gistro d͏esses ev͏entos na͏ UTIN é ͏um forte͏ estímul͏o à equi͏pe multi͏discipli͏nar, con͏solidand͏o as prá͏ticas de͏ seguran͏ça insti͏tuídas. ͏“Como de͏scrito n͏a litera͏tura cie͏ntífica,͏ a manut͏enção de͏ uma tax͏a zero d͏e infecç͏ão não é͏ um desa͏fio fáci͏l. Adota͏mos medi͏das gera͏is de pr͏evenção ͏de infec͏ção base͏ada em e͏vidência͏s, inclu͏ído elab͏oração d͏e protoc͏olos, ca͏pacitaçã͏o contín͏ua da eq͏uipe mul͏tidiscip͏linar, a͏uditoria͏ sistemá͏tica de ͏adesão a͏os proce͏ssos, ut͏ilização͏ de crit͏érios pa͏dronizad͏os para ͏a coleta͏ de dado͏s epidem͏iológico͏s refere͏ntes às ͏infecçõe͏s, permi͏tindo o ͏monitora͏mento do͏s evento͏s e o es͏tabeleci͏mento de͏ estraté͏gias de ͏prevençã͏o e cont͏role”, c͏onta.
A médica esclarece que a transmissão de micro-organismos patogênicos, ou seja, germes capazes de produzirem doenças, ocorrem na maioria das vezes por contato direto (transmitido de uma pessoa a outra por meio do contato direto com as mãos) ou através do contato indireto (objetos e superfícies contaminadas). “Várias medidas possuem eficácia na prevenção de infecções, mas sendo as mãos um possível reservatório de micro-organismos que podem causar infecções, devemos adotar a higienização das mãos como importante aliado na rotina diária. Por esse motivo, a higienização das mãos é uma das medidas mais importantes na prevenção e controle das infecções. É uma ação simples, rápida e de baixo custo”, esclarece.
Segundo ela, a limpeza do ambiente também é parte importante no controle da transmissão das infecções, incluindo pisos, paredes, macas, cadeiras de rodas e mobília do quarto. As superfícies e objetos devem ser sempre limpos e, em algumas situações, também desinfetados. Porém, o principal meio capaz de transportar os micro-organismos dos objetos e superfícies contaminadas para os pacientes, são as mãos. “Com esse objetivo, adotamos a partir de 2009 a Estratégia Multimodal da OMS para a Melhoria da Higiene das Mãos (ht͏tps://anv͏isa/guiaE͏MHM.pdf), práticas de higiene das mãos, seguindo os cinco pilares do programa. Esse trabalho foi, inclusive, reconhecido e premiado em 2014”, lembra.

